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Volta a Budapeste

Estávamos esperando para fazer esse post sobre Budapeste somente depois de nossa segunda viagem à Hungria, justamente HOJE, dia 7 de maio. Passagens compradas ainda no ano passado, roteiro pronto, a saudade e a ansiedade juntinhas… Entretanto, como o cenário para viagens está bastante caótico e não sabemos para quando poderemos reagendar, revolvemos contar já o que vimos e aprendemos por lá da primeira vez. Afinal, viajar na memória é o que podemos fazer agora.

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“Os cientistas dizem que somos feitos de átomos, mas um passarinho me disse que somos feitos de histórias.” (Eduardo Galeano)

Budapeste foi fundada pelos romanos no ano 100 d.C. com o nome de Aquincum (água é o que não falta!), mas foi invadida pelos hunos no século 5 e depois passou por várias mãos até a metade do século XV, quando a Hungria se tornou uma das regiões mais importantes da Europa, sob o comando de Matias Corvino.

A Budapeste de hoje é uma cidade grande (1,7 milhões de habitantes) que foi formada em 1873 pela junção de duas, divididas pelo rio Danúbio, Buda e Peste. Buda, a parte mais alta é também a mais antiga (datando do século I antes de Cristo) e é onde fica o Castelo e onde morava a nobreza húngara. Já Peste é o lado mais plano e também mais moderno da cidade – e quando dizemos moderno, queremos dizer que começou a ser povoado depois de Cristo. Em Peste é que fica o famoso Parlamento.

Fomos para lá a partir de Bratislava, de trem. A viagem dura pouco mais de 3 horas (saímos as 9:55 e chegamos as 12:35) e é bem tranquila. Já na chegada nos vimos em um dos pontos turísticos da cidade, a estação central de trens – Budapest-Keleti.

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A estação é muito antiga, de 1884, mas bem conservada e famosa por seus vitrais. Nela chegam trens de todo o país e também de outras localidades como Áustria, Alemanha, República Tcheca, Transilvânia, Zagreb e Belgrado. Budapest-Keleti fica em Peste (na Kerepesi útca 2-4) e tem ligação direta com o metrô, o que facilita bastante.

Onde e quanto ficar?

Mapa BudapestAs principais atrações de Budapeste estão espalhadas por ambos os lados da cidade, quase que igualmente. Entretanto, como em qualquer cidade que se desenvolveu sob uma monarquia, o lado “nobre” da cidade é sempre onde fica o Castelo, assim, como era de se imaginar, Buda é o lado mais caro e Peste é o mais barato para se encontrar uma boa acomodação. Da mesma forma, como a maior parte das atrações se concentra ao longo ou bem próximas ao rio Danúbio, quanto mais perto do rio você quiser ficar, mais vai pagar. Por isso resolvemos ficar nossas quatro noites em Peste, em Erzsébetváros, o antigo bairro judeu da cidade, a um km do rio e uma quadra da Grande Sinagoga Dohány.

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Confesso que três dias inteiros não foram o suficiente para conhecermos tudo… faltou aquele tempinho para perambular por museus sem pressa ou nos perder por ruelas sem lenço e sem documento, como gostamos de fazer. Entretanto, aproveitamos bastante. Por isso nossa recomendação a é que você fique pelo menos 4 noites na cidade.

Maverick City Lodge

O Maverick fica na rua Kazinczy, 24, onde há vários restaurantes e além de ficar perto da Grande Sinagoga Dohány ele também fica a 4 quadras da rua Andrassy, por onde passam os metrôs. Ou seja, não podia ser melhor. O quarto era bem pequeno, mas bom, novinho e muito limpo. O wi-fi é grátis e a conexão boa. O lobby tem uma sala de estar bem bacana, com TV, puffs, sofá e business centre e a decoração é muito bonita. O café da manhã é no restaurante contíguo e pago à parte (é um pouco caro, 5 euros por pessoa, assim optamos por ele somente uma vez, mas foi gostoso – não é buffet e sim um menu com opções de combos). Um dos pontos fracos, entretanto, é que há uma faculdade quase em frente e à noite há bastante barulho na rua. Como é um hostel mais frequentado pelo público jovem, também há barulho nos corredores e quartos próximos. Fora isso, é muito gostoso, moderno, com funcionários jovens e simpáticos.

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Já instalados e com o mapinha na mão, saímos para bater perna. Demos uma volta pelo bairro para um primeiro reconhecimento e já gostamos! Nas redondezas ficam vários dos chamados “ruin pubs” – bares abertos em prédios em ruínas. Esses bares se concentram justamente no 7º distrito – o antigo bairro judeu – em edifícios abandonados depois da Segunda Guerra Mundial, o local ideal para o desenvolvimento da cena underground da cidade.

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Eles não tem placas, nem letreiros de neon, música alta e muito menos filas na porta. Por fora são apenas edifícios antigos com fachadas decadentes, entretanto quando a gente entra dá de cara com um ambiente artístico, vibrante e muito colorido – ideal para relaxar, tomar uma cerveja e bater papo. O conceito é super legal e o ambiente alternativo e amigável, inclusive para o público LGBTQIA+, mas não é muito barato. Tudo começou com o Szimpla Kert, que originalmente era uma fábrica de fogões. Ele fica na própria rua Kazinsczy (a do nosso hostel). Fomos lá para conferir. Abre logo a tarde e nos recomendaram visitar cedo porque depois 21h fica lotado. 

Dohany Sinagoga e Memorial do Holocausto

A Sinagoga da rua Dohany em Peste não é somente a mais impressionante do país, mas a maior da Europa e a 2ª maior do mundo, abrigando 3 mil pessoas sentadas e 2 mil em pé. Por isso ela é também conhecida como “A Grande Sinagoga”. A arquitetura mourisca é linda e ela está incrivelmente conservada (completou 160 anos no ano passado). Uma curiosidade é que ela foi a primeira sinagoga da história a ser construída em estilo mourisco e depois dela, várias outras seguiram o estilo.

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No mesmo edifício fica o Museu Judeu Húngaro e no pátio externo fica o memorial Carl Lutz, o embaixador suíço que salvou 62 mil judeus do holocausto. Junto à uma bonita escultura está a citação do Talmud “Aquele que salva um homem, salva o mundo inteiro”.

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A comida húngara

O prato mais tradicional da cozinha húngara é o goulash (ou gulyás). Ele é um ensopado de carne de gado picada, frita bem douradinha com bacon, juntando-se então muita cebola, alho e páprica, um pouco de farinha de trigo e cozida lentamente, por horas. O prato é servido com creme azedo e pão e já era nosso conhecido no Brasil.  Tivemos a oportunidade de prová-lo várias vezes durante a viagem e adoramos. A páprica húngara é realmente única! Além do goulash, os húngaros comem bastante cozidos com carne de porco ou frango e embutidos como linguiças defumadas. Também come-se muito pão. Saladas e alimentos crus não são muito populares mas os pratos sempre vem com verduras. A bebida tradicional é a pálinka, uma água ardente destilada de frutas, originária da região dos Cárpatos e produzida também na Romênia.

Gettó Gulyás

Budapeste é uma cidade cara e havíamos notado os altos preços quando fomos ao Gettó Gulyás (Wesselenyi útca, 18) para nosso primeiro jantar. Já havíamos passado por ele algumas vezes, pois ficava próximo de nosso hostel. A atmosfera parecia animada, o restaurante estava movimentado e resolvemos entrar. Fomos surpreendidos com a qualidade dos pratos e com o preço, bem justo para a quantidade de comida. Escolhemos o frango ensopado ao molho de páprica com spaetzle e o goulash de carne. Para beber, uma taça de vinho rosé, uma de cabernet tinto e uma água mineral. Um casal de italianos, que chegou depois de nós, sem saber falar inglês e muito menos húngaro, olhou para nossos pratos e quando o garçom os veio atender apontaram com o dedo sem cerimônia, tão apetitosos estavam! Não pedimos sobremesa, mas tomamos duas doses de licor Baileys. Tudo saiu 7.760 florins, ou seja, cerca de 95 reais. Realmente uma de nossas melhores refeições em Budapeste!

Budapeste de cabo a rabo

Na manhã seguinte, às 9:00, estávamos na rua Bajcsy-zsilinszky, próximo à entrada do metrô, esperando o ônibus vermelho da City Sightseeing Budapest. Compramos o bilhete de 48 horas que sai 45 euros por pessoa – um pouco caro, mas aproveitamos bem os dois dias, que estavam lindos e ainda fizemos o passeio de barco de uma hora, no final da tarde, a que os bilhetes também davam direito.

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Valeu a pena porque Budapeste é grande e as atrações não são tão perto umas das outras. Não se pode apenas andar a pé. Não temos nada a reclamar dos ônibus em si, exceto a frequência – os da empresa Big Bus (o ônibus marrom) e o Giraffe (também vermelho) passavam com o dobro da frequência e nas mesmas paradas. Uma coisa boa foi que não estavam lotados e pudemos andar na parte de cima e fazer muitas fotos em ambos os dias. Já conhecendo bem a cidade, no outro dia andamos de metrô mesmo. Recomendamos para quem visita pela primeira vez.

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SissiComo já começamos nosso tour em Erzsébetváros a nossa primeira parada foi a nº 2, na Erzsébet Tér, uma praça no centro de Peste que leva o nome da imperatriz mais famosa e amada do país, mais conhecida como Sissi. A área em volta é muito bonita. Na região também fica a Deak Ferenc tér, o lugar onde tudo acontece. A praça é um ponto de encontro para caminhadas, piqueniques, festas. No verão é muito movimentada com sorveterias, bares, terraços e restaurantes. É também o ponto onde todas as linhas de metrô se encontram.

A parada seguinte, a nº 3, é a rua mais chic da cidade – a Andrássy útca (útca = rua). Ela é uma espécie de Champs-Élysées de Budapeste. Ao longo dos seus 2 km ficam lindos prédios em estilo neorenascentista, marca registrada do império austro-húngaro. Andar por ali admirando as incríveis fachadas do século XIX é delicioso. Esses edifícios pomposos, onde antigamente moravam os endinheirados da cidade, hoje abrigam lojas de grife e redes varejistas internacionais. As marcas mais caras e famosas da moda como Armani e Gucci instalaram-se lá, o que certamente banaliza e torna comercial o valor da arte. Um ponto a favor, entretanto, é o ótimo estado de conservação dos prédios.

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Parar em frente para tirar fotos delas é obrigatório! São realmente edifícios lindos, com suas Cariátides e Atlas sustentando os pórticos das entradas. Para olhos sensíveis, tornam-se invisíveis e banais as bolsas, sapatos, ternos e vestidos… Museu a céu aberto… e gratuito!

Andrassy utca

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A 4ª parada do tour é a Magyar Allami Operahaz, a Ópera Nacional Húngara (também na Andrassy útca). Construída por ordem do imperador no final do século XIX, ela era chamada antigamente de Ópera Real. O edifício, em estilo neorenascentista, conserva suas características há 130 anos e realmente chama atenção de quem passa por ele.

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Mas é por dentro que ela impressiona. A visita é guiada e paga (5 euros por pessoa) e não dá direito a fotos (se quiser tirá-las é preciso pagar outra taxa de 2 euros por máquina/celular, em separado). É possível também ver um pequeno concerto, no final da visita guiada, mas também é pago à parte (2,50 euros por pessoa).

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Assim, se como nós você já visitou a Ópera Garnier, em Paris, ou a Scala de Milão, pode apenas apreciar o hall de entrada e as escadarias, onde as fotos são permitidas. Na entrada há várias estátuas, entre elas a do grande compositor húngaro, Liszt. Nós passamos por ela com o ônibus turístico e resolvemos voltar e entrar no dia seguinte. Os filmes O Fantasma da Ópera e Operação Red Sparrow foram rodados ali.

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O ônibus segue pelo bairro de Terézváros até a Liszt Ferenc Tér – a praça (tér) que tem uma estátua do compositor. Liszt é um dos grandes orgulhos húngaros, pois ele se tornou um dos maiores músicos clássicos da história. Essa é a 5ª parada. Não descemos nela e fomos direto para a , a Praça dos Heróis (Hősök tere), no final da avenida Andrássy, perto do parque da cidade. A praça é muito ampla e o maior atrativo é o monumento do Milênio, construído em 1896 para celebrar os mil anos da Hungria. Foi nessa parada que descemos para ir ao Castelo de Vajdahunyad no dia seguinte.

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As paradas 7 e 8 são o New York Café, considerado o café mais bonito do mundo e o Eastern Hotel Hungaria, em Erzsébetváros, mas o mais famoso é o da parada 9, o Hotel Astoria, inaugurado em 1914 e ainda em funcionamento. Ele possui 138 quartos e foi cenário do filme “Being Julia”, com Annette Bening e Jeremy Irons, dirigido pelo húngaro István Szabó. Na sequência o ônibus deixa Peste e atravessa a Ponte István Széchenyi para o outro lado do rio Danúbio, para Buda.

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A István Széchenyi, conhecida também como Chain Bridge, é a primeira ponte permanente de pedra a ligar Peste a Buda e foi inaugurada em 1849. Pode-se atravessá-la a pé (tem 375 metros). Dela também se tem uma vista linda do rio para fotos. Nós a atravessamos com o Tour Bus na ida, e a pé na volta. Antigamente quem vinha de Peste tinha que dar a volta no morro do Castelo de Buda para seguir em frente, entretanto em 1856 foi inaugurado um túnel de acesso direto.

IMG_E6320Finalmente chegamos à parada 10 do tour, o Funicular que leva ao topo do morro e ao Castelo de Buda. Quando chegamos à Szent György tér, a praça em frente ao Buda Hill Funicular, já havia uma fila imensa para comprar o bilhete e não havia funcionários da empresa organizando para que as pessoas não “furassem”. Esperamos bastante, mas conseguimos comprar os tickets. Cada carrinho comporta um número adequado de pessoas. Por sorte conseguimos embarcar no carrinho da frente e tivemos uma ótima vista da subida! O bilhete de subida e descida custa 1.800 florins por pessoa – cerca de 22 reais. De lá de cima vai-se ao Castelo, à Igreja de São Matias e ao Bastião dos Pescadores, à pé.

Castelo de Buda

Chegamos finalmente ao Castelo, que estava muito movimentado, sendo um dia ensolarado. Ele é realmente imenso, um complexo com ruelas de paralelepípedos que conta com jardins, escadarias, pórticos imponentes e diferentes edifícios que abrigam atualmente o Museu Nacional, a Biblioteca Nacional e também a Galeria Nacional de Arte. Cada entrada é paga em separado (além do ticket da entrada principal). O portal de entrada é imponente e há também uma fonte muito bonita antes de se entrar para a ala dos apartamentos reais.

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Quando fomos havia também um stand de arco e flecha que por 5 euros dava direito a três tiros. O Ede se divertiu muito com a brincadeira e, algumas tentativas e 10 euros depois, conseguiu até acertar alguns! O Castelo ainda tem terraços fantásticos de onde se tem uma vista privilegiada de Budapeste com a Erzsébet híd e o Parlamento ao fundo. De lá fomos a pé à Igreja de São Matias e ao Bastião dos Pescadores. Trata-se de um programa para um dia inteiro – não tenha pressa!

Curiosidade: O Castelo de Buda é cenário frequente de filmes e séries famosas. Lá foram filmados Drácula de Bram Stoker, Os Borgias, Inferno, Missão Impossível – Protocolo Fantasma, Hellboy 2, Pilares da Terra, Hércules, Inferno Vermelho, entre outros.

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Igreja de São Matthias

De longe a gente já enxerga a alta torre branca da linda igreja de São Matthias na Szentharomsag tér. A original, da qual não restou nada, teria sido erguida em 1015 por São Estêvão, que foi rei da Hungria, mas foi totalmente destruída pelos mongóis. A construção atual é do final do século XIII e teve várias restaurações e modificações ao longo do tempo. Durante a Segunda Guerra Mundial ela também foi bastante danificada pelos alemães e pelos soviéticos, mas foi totalmente recuperada pelo governo húngaro. Os trabalhos de restauração duraram décadas e só terminaram em 2013. Tendo sido cenário de várias coroações, inclusive a do último rei húngaro, ela é realmente imponente, toda branca e com um telhado maravilhoso e muito colorido. Um ícone de Budapeste!

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Bastião dos Pescadores (Halaszbastya)

O Bastião dos Pescadores (Szentháromság tér) foi construído no século XIX para servir de Torre de Vigia, continua servindo seu propósito até hoje! Só que em vez de guardas, são centenas de turistas todos os dias! A vista de Peste a partir de suas torres é lindíssima. Uma delas é paga, a outra não. A diferença de vista entre ambas é mínima, portanto não é vantagem pagar. Após termos andado a manhã inteira pelo Castelo de Buda e visitado a magnífica Igreja de São Matias, estávamos cansados e com fome, assim, ali mesmo, paramos para almoçar no Café do Terraço. Comemos penne com molho parmesão e uma salada Ceasar e tomamos coca-cola e cerveja, tudo saiu por 8.859 florins – achei bem caro, mas, dada a localização, valeu a pena, pois nos rendeu ótimas fotos. 

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Monte Géllert

Passamos ainda pelo monte Géllert e em frente aos famosos Banhos Turcos de Budapeste. Não descemos porque queríamos aproveitar para conhecer o máximo da cidade, mas certamente vale a pena experimentar para relaxar em um deles se você tiver bastante tempo na cidade. Não são baratos, mas são muito lindos! Só as fachadas já impressionam! O mais famoso é o Termas Géllert, um complexo de piscinas e banhos construído em 1912. Ele foi destruído durante a 2ª Guerra e reconstruído no mesmo local. Na verdade, desde o século XII já há registros de banhos instalados ali, pois considerava-se que as águas termais de Géllert eram milagrosas e até mesmo um hospital funcionou lá durante a idade média.

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De volta à Peste com o hop on & off bus descemos na parada nº 4 (Ópera) e seguimos a Andrassy útca para visitar a Szent Istvan Bazilika e passear à pé pelos arredores.

Szent Istvan

A Basílica de Santo Estêvão, na Szent Istvan tér 1, domina o cenário devido ao seu tamanho e imponência. Quando entramos a sensação é de termos encolhido, tamanha a grandeza e a beleza. O altar é maravilhoso e imenso, todo em mármore rosa, branco e detalhes dourados. Há lindas capelas e a cúpula é realmente magnífica. Os vitrais são outra atração.

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As relíquias do santo estão lá também. Santo Estêvão morreu apedrejado por defender a fé cristã e foi o primeiro mártir de toda a história católica. Seus restos mortais foram encontrados no ano 415, próximo a Jerusalém. A festa de Santo Estêvão é celebrada sempre no dia seguinte ao Natal, 26 de dezembro e ele é cultuado por ambas as igrejas católica romana e ortodoxa.

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Ferenciek tere – Bélvaros

Demos ainda uma boa volta à pé pela Ferenciek tere, a praça de São Francisco, bem no centro de Peste (a região chamada Bélvaros). Além de ser o local de uma importante estação na linha M3 do metrô, é um grande entroncamento de lindas avenidas e ruas de pedestres como a Váci útca, uma rua de compras com muitos edifícios bonitos e clássicos que abrigam lojas como a Zara, H&M, Mango, Lacoste, Hugo Boss, e outras, além de restaurantes chiques. Arquitetura fantástica, para passar horas clicando e admirando!

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Na Ferenciek tere também fica a Igreja de São Francisco (que dá nome à praça – Ferenciek = Francisco), de 1743. Entramos para descansar um pouco e para conhecer. Não é luxuosa, mas é muito bonita por dentro.

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Caminhando pela Váci útca no fim do dia sentimos um cheirinho gostoso vindo de uma banquinha. Fomos conferir! Deliciosas tiras de pão doce assado na brasa, passado na manteiga e no açúcar – isso é o famoso Kürtőskalács que se encontra em vários lugares de Budapeste, pois dizem ser originário da Hungria, embora o tenhamos visto bastante na Romênia e também na República Tcheca.

Alguns locais inventam moda e o servem com sorvete dentro ou com coberturas diferentes, mas nada se iguala ao original. É uma delícia! Ainda mais quentinho! O nome é um pouco difícil de pronunciar (algo como “kurtosh kálaks”), mas pode-e pedir somente um “kurtosh”. Compramos os nossos e saímos comendo…

Buddha Bar Hotel

O Buddha Bar é uma franquia que inclui bar, restaurante e hotel 5 estrelas. Foi criado pelo empresário franco-romeno Raymond Vișan e pelo DJ e designer de interiores Claude Challe. Ele começou em Paris em 1996 e logo abriu em outras cidades como Budapeste, Praga, Londres, Marrakesh, Beirut, Cairo, Dubai, Kiev, Moscou, São Petesburgo, além das ilhas Mykonos e Santorini na Grécia e outras. O lugar tornou-se um hit entre os turistas estrangeiros ricos e yuppies que visitavam a cidade.

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O bar ficou conhecido mundialmente por ter popularizado o estilo “lounge music” com coletâneas muito ecléticas – as preferidas dos DJs avant-garde. Em 1999 um álbum que compila essas coletâneas foi lançado e em 2001 ele ficou entre os top 10 da Revista Billboard. Algumas músicas exclusivas também faziam parte dos álbuns como “Buddha  Bar Nature”, “Buddha Bar Ocean” , “Amor Amor” e “Amanaska“ compostas por Arno Elias.

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Claro que, não sendo ricos e muito menos yuppies, não nos hospedamos e nem jantamos lá… mas a gente já ficou feliz em passar em frente, tirar umas fotos e conhecer um dos locais que inspirou a longe music.

Astor Food Room

Passamos pelo Astor Food Room várias vezes e estava sempre bem movimentado. Resolvemos entrar para jantar um pouco mais cedo, enquanto ainda havia muitos lugares. Pedimos o pato rosé e um goulash. Para acompanhar duas taças de vinho tinto. O pato estava gostoso, mas um pouco duro e embora o prato tradicionalmente venha com a carne bem pouco cozida (rosé = rosado, ou seja, não é bem passado), deveria ser macio. Os acompanhamentos e o molho de frutas vermelhas estavam bons. O Ede se deu bem, pois pediu um goulash bem gostoso, embora já tivesse comido melhores e certamente bem mais baratos. O ambiente é bastante agradável e os garçons são rapazes bonitos e eficientes, mas não particularmente atenciosos. Ele é bem decorado e bacana por dentro, bem localizado (fica na Károly krt. 1), próximo ao hotel Astor, mas pode-se comer bem melhor em pequenos bistrôs no bairro judeu.

Parlamento (Orszagház)

No dia seguinte pegamos novamente o Hop on & Off (afinal havíamos comprado o bilhete para 48hs) e descemos próximo ao Parlamento, na Kossuth Lajos tér 1-3 (parada nº 14). Com 96 metros de altura o Parlamento reina na paisagem de Budapeste. Seja visto a partir do Castelo de Buda, do passeio de barco pelo Danúbio ou ao visita-lo, a imagem é sempre majestosa, durante o dia ou à noite. Inaugurado em 1896, o Országház é o maior edifício da Hungria e o segundo maior parlamento da Europa, com 700 salas.

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Os jardins também são lindos e quando fomos estavam floridos com lavanda. Optamos por não visita-lo por dentro porque queríamos aproveitar o lindo dia de sol para passear de barco pelo Danúbio, mas certamente vale fazê-lo se você tiver tempo. Depois de passear bastante pela esplanada do Parlamento e tirar fotos de todos os ângulos possíveis e imagináveis fomos andando pela orla do rio Danúbio, pela Id. Antall Jozsef rakpart, em direção à Ponte Széchenyi Lánchíd.

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Memorial “Sapatos às Margens do Danúbio”

Muita gente quando visita não tem a menor ideia do que o memorial representa, pois não se informa antes de viajar. Uma pena. Sim são apenas pequenos sapatos de ferro, mas eles homenageiam as vítimas (muitas de origem judaica) que foram executadas e tiveram os corpos jogados no rio Danúbio durante a II Guerra Mundial, principalmente os que foram fuzilados coletivamente no inverno de 1944. O rio Danúbio era conhecido em Budapeste naquela época como “o Cemitério Judeu”. Não poderia ser uma homenagem mais singela e significativa. Quando visitamos havia várias flores e também algumas velas deixadas por pessoas para as quais os 60 sapatos realmente representam vidas. Achamos muito comovente. O memorial conhecido somente como “Sapatos às margens do Danúbio” fica na Id. Antall Jozsef rakpart , na margem direita do rio, entre as praças Roosevelt tér e Kossuth tér.

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A Hungria foi ocupada pela Alemanha Nazista em 19 de março de 1944. Entre 15 de maio e 9 de julho mais de 434.000 judeus húngaros foram transportados em 147 trens pelas forças nazistas, a maioria para Auschwitz, onde cerca de 80% foram mortos logo após a chegada.

Passando a Ponte Széchenyi Lánchíd e chegando próximo do embarcadouro há vários restaurantes bacanas e já estávamos com bastante fome e bem cansados de caminhar desde o Orszagház e percorrer o Danube Promenade de cabo a rabo…. foi uma boa pernada! Assim nem escolhemos muito… o que queríamos era comer bem e uma linda vista do Danúbio para relaxar sem pressa.

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Almoçamos no restaurante Dunacorso (Vigadó tér 3), pois  achamos o ambiente bem agradável, com mesas ao ar livre. Descobrimos depois que o lugar é muito tradicional, pois abriga restaurantes desde 1870. Este, em específico, pertence a mesma família há 40 anos. Como já esperávamos, os preços eram um pouco altos, por conta da localização privilegiada, mas a comida estava muito boa e o serviço foi rápido e eficiente. Comemos um frango com molho de páprica, acompanhado de spaetlze e um filet de peixe com aspargos, que veio com uma espécie de tortilla de batatas. O primeiro prato era bem servido, já o segundo não era generoso. Pedimos também uma taça de vinho da casa para cada um e uma garrafa de água mineral. Os pratos custaram 3.490 e 4.690 florins e o que encareceu bem a conta foi o vinho (1290 florins cada taça). Dica: se gostar, peça cerveja!

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Hop non & off Boat Ride

A vantagem de termos comprado o ticket de 48 horas do ônibus de turismo foi que ele dava direito a um passeio de barco pelo Danúbio. Assim, depois de almoçar tranquilamente no Dunacorso fomos ao embarcadouro procurar o nosso barco. Ele não era luxuoso, mas bem espaçoso e uma guia com um microfone ia explicando os principais pontos ao longo do percurso. Como o dia estava ensolarado conseguimos tirar lindas fotos! O passeio é rápido – cerca de 50 minutos apenas, mas vale a pena. O melhor ângulo para se fotografar o Parlamento é justamente de dentro do barco. A parada para descer e pegar o barco é número 13 , na  Március 15 Tér, dock º 10 (abaixo da Ponte Elisabeth).

Danube Promenade

Um dos passeios mais agradáveis que fizemos em Budapeste foi andar pelo calçadão ao longo do rio Danúbio (o chamado “Promenade”), apreciando o Castelo de Buda do outro lado e tirando fotos das lindas estátuas de bronze que encontramos ao longo do trajeto.

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Kiskirálylány (a Princesinha)

A estátua em bronze de Kiskirálylány é uma obra do premiado artista Lásló Marton que se inspirou em sua filha mais velha, Évike, para realizar a obra. A menina costumava brincar de “Princesa” no bairro de Tabán, logo abaixo do Castelo de Buda, usando um roupão de banho como manto e uma coroa feita de jornal. A estátua original está na Galeria Nacional Húngara e uma cópia é essa que hoje está nas margens do rio Danúbio (do lado de Peste – de onde se pode ver o Castelo de Buda), sentada sobre as grades dos trilhos de trem. A estátua é linda e as fotos são muito concorridas!

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Kutyás lány (Menina com o cão)

Na Vigadó Tér, à beira do rio, há ainda a estátua em bronze da menina brincando com seu cão. Ela fica bem em meio à praça e é uma obra do escultor  húngaro Raffay Dávid instalada em 2007.

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Ignác Roskovics

Outra estátua legal é a de um homem com um cavalete de pintura. Ignác Roskovics, um famoso pintor húngaro. Na verdade, ele nasceu em Bratislava, mas passou a maior parte de sua vida em Budapeste. A obra é do escultor ucraniano, Mihajlo Kolodko. Ela está posicionada de forma que a gente tem a impressão de que ele está pintando quem passa à beira rio.

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Dica: Verão, calor danado, andando muito… para sair um pouco do sorvete a gente se esbaldava nos morangos! Gordos, doces e saudáveis, vendidos em banquinhas pela cidade e bem baratinhos…

As floriculturas também estavam lindas! Viajar na primavera ou no verão faz toda a diferença!

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Bite Bakery Café

Após andar para cima e para baixo, bateu aquela vontade de tomar um café gostoso no fim do dia e não hesitamos em entrar no Café Bite, na Terez Kurut, 62, em frente à Estação de Trens. Ele nos pareceu simpático e muito aconchegante. O atendimento foi ótimo e a nossa garçonete falava muito bem inglês e era uma simpatia, logo puxando uma conversa animada conosco. Tomamos dois lattes grandes e comemos dois rolinhos de canela, também grandes e deliciosos. Tudo saiu por 1.420 florins e o Café Bite ainda tinha wi-fi grátis. Adoramos!

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Goamama

Último dia na cidade, andando pelo nosso bairro (Erzsébetváros)  encontramos o Goamama, um pequeno e simpático Café na Király útca, que nos chamou a atenção pela decoração e pelo menu. Revolvemos entrar e tomar nosso café da manhã lá. Ótima escolha!  O lugar é muito descolado e também tem peças lindas de louças e objetos de muito bom gosto para vender. IMG_6851

Depois do café, como já não tínhamos mais transporte “grátis” no hop on & off bus (que valia só para 48 horas), resolvemos pegar o metrô para ir até a estação da Praça dos Heróis (Hősök tere), a que nos daria acesso ao Castelo de Vajdahunyad. A experiência foi inusitada, mas deu tudo certo! Ao bilhetes são comprados em máquinas em frente às estações e embora os menus sejam em húngaro há tradução para o inglês. As estações são muito antigas, mas bem limpas.

Outra maneira de se locomover pela cidade é com o bonde, que passa por vários dos pontos principais de Peste. Não os testamos, mas os vimos passar com frequência, o que é bom. Além de que são muito charmosos!

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Passamos nosso quarto e último dia em Budapeste passeando pelo Varosliget, o parque central da cidade, que é maravilhoso e onde fica mais um lindo castelo, o Vajdahunyad. É um passeio demorado e por isso muitas vezes fica de fora dos roteiros turísticos mais populares. Entretanto, sugerimos fazê-lo se você tiver tempo e pegar dias de sol, como foi o nosso caso. Um programa barato e muito relaxante, principalmente depois da correria para ver as atrações mais importantes. Ele foi tão especial que mereceu um post só para si, confira: Castelo de Vajdahunyad

 

Kazimir

O Kazimir ficava muito perto de nosso hostel (Kazinczy u. 34) e passávamos sempre por ele. Em nossa última noite em Budapeste resolvemos comer lá, logo no começo da noite, para poder fazer uma última caminhada depois e dizer adeus à cidade. Tendo almoçado tarde, não estávamos com muita fome, assim, pedimos o queijo grelhado com salada, que estava realmente delicioso (é uma fatia grossa de queijo coalho grelhado e temperado) e também um espetinho misto (com carne de porco, linguiça, bacon e pimentões), também muito gostoso. Para beber, uma taça de vinho da casa e uma coca cola. O menu traz as opções também em inglês, o que facilita muito. Tudo saiu por 6.555 florins, cerca de 80 reais. Adoramos!IMG_7132

Nossa última noite na cidade, depois do jantar, um passeio à noite pelas ruas da cidade e sua linda arquitetura para nos despedir.

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A noção de luxo é muito subjetiva e depende dos valores de cada um. Se no mundo capitalista de hoje, muita gente associa luxo à joias, roupas de marca e casas com mais cômodos do que realmente necessitamos, para nós, luxo é poder admirar livremente belezas como essa!

SAMSUNG CAMERA PICTURESE com lindas memórias históricas, gastronômicas e afetivas, deixamos a Hungria no dia seguinte, esperando voltar… E ainda voltaremos!!!

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Vitória, Sé do Porto e arredores

No Centro Velho do Porto é que estão os principais monumentos históricos, igrejas e museus e foi por lá que nos embrenhamos num passado distante e grandioso. Prepare-se para essa viagem!

O tempo, como o mundo, tem dois hemisférios: um superior e visível, que é o passado. Outro inferior e invisível, que é o futuro. No meio de um e outro hemisfério ficam os horizontes do tempo, que são estes instantes do presente que imos vivendo, onde o passado termina e o futuro começa” (Padre Antônio Vieira – História do Futuro, 1664)

Igreja do Carmo

Na Freguesia de Vitória, entre a Praça de Carlos Alberto e a Rua do Carmo, perto da Torre dos Clérigos, fica a famosa Igreja do Carmo. Essa foi nossa primeira parada, tão logo nos instalamos! Seu nome completo é Igreja da Venerável Ordem Terceira de Nossa Senhora do Carmo e é um dos principais pontos turísticos da cidade, adivinhem por quê? Quem respondeu “azulejos” acertou em cheio! Assim como a Estação de São Bento por dentro, ela é decorada por magníficos painéis de azulejos – só que por fora! A fachada é em estilo barroco, toda em pedra e muito imponente, mas o que chama mesmo a atenção é o paredão lateral.

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Curiosidade: A Igreja do Carmo não é toda aquela construção. Na verdade há ali duas igrejas geminadas. A que tem a torre do sino é a Igreja dos Carmelitas Descalças, do século 17 – a mais velha delas. Mas por que duas igrejas? Uma era para o culto das freiras e a outra para os monges – que não podiam se misturar! Se você olhar de perto vai notar uma junção de pouco mais de um metro de largura. Esse corredor separava as duas igrejas e mais tarde, coberto, tornou-se a casa do zelador do complexo.

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Passeio de Bonde (Porto Tram)

O bonde existe no Porto desde 1895 e era um meio de transporte bem característico da cidade, muito utilizado no passado pela população, circulava por grande parte do Porto e de Vila Nova de Gaia. Um passeio no tempo! Uma volta dura aproximadamente 50 minutos e vai de um lado ao outro do centro histórico. O nº 22 (Linha Baixa – entre o Carmo e Batalha) para quase em frente à Igreja do Carmo as 09:15 (primeiro horário). Ele passa por vários dos principais pontos turísticos e dá uma boa ideia das distâncias de um para o outro. Sugerimos fazer o passeio no primeiro dia para situar-se logo de cara. A passagem nos custou 2,50 euros por pessoa. (Saiba mais sobre os passeios de bonde aqui.)

Curiosidade: quando chega ao final da rota, o condutor retira seu assento e volante e vai para a outra extremidade do bonde – e todo mundo vira seus assentos para o outro lado para continuar o passeio!

Universidade do Porto

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A Universidade do Porto é pública e foi fundada em 22 de março de 1911. É a segunda maior universidade portuguesa por número de estudantes, ficando atrás somente da de Lisboa. Ela fica em frente à Praça de Gomes Teixeira (que tem esse nome justamente em homenagem a Francisco Gomes Teixeira, o primeiro reitor – 1911 a 1917). Ela também fica quase em frente à Igreja do Carmo. Estava fechada quando passamos por lá, mas pudemos admirar a fachada e ver o vestíbulo, onde uma placa em homenagem aos estudantes mortos durante a Ditadura de Salazar nos chamou a atenção.

Dica: Se quiser saber mais sobre a Ditadura Portuguesa recomendamos o filme Capitães de Abril, sobre o qual já falamos aqui no Blog no post Portugal no Cinema

Livraria Lello

Uma das mais famosas atrações do Porto, a Livraria Lello é também a mais penosa de todas! Mais que subir os 240 degraus da Torre dos Clérigos… mais que subir a pé toda a Avenida 31 de Janeiro de São Bento à Praça da Batalha… É preciso paciência de Jó e fôlego de Hércules! Logo no primeiro dia, assim que almoçamos, fomos dar uma volta e passamos frente a ela na Rua das Carmelitas – quer dizer – passamos frente às centenas de pessoas na fila para visitá-la. Assim, resolvemos que no dia seguinte iríamos ser os primeiros da bicha! Como a bilheteria abre às 09:00, as 8:45 estávamos lá – e já havia fila! Mas não era tanta gente para comprar a entrada… Entretanto, uma segunda fila, imensa, já estava se formando para entrar na Livraria propriamente dita. Então o Ede foi para a fila da entrada e eu fiquei na dos bilhetes. 30 minutos depois estávamos com o ingresso na mão – agora os dois na gigantesca fila da entrada. 50 minutos depois chega a nossa vez de entrar juntamente com uma manada de outros turistas de todos os tamanhos e cores.

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IMG_0276Realmente, uma vez lá dentro ela é impressionante e não me admira ter servido de inspiração para Harry Potter – é um sonho! (Mas pode virar um pesadelo se você mal puder se mexer… Selfies? Sim, centenas. Boas? Sorte se uma se salvar no mar de corpos!) Enfim, é só para os fortes. O ingresso custa 5 euros e se você comprar um livro o valor é descontado da compra.

Curiosidade: a Livraria Lello foi a primeira editar um livro de Eça de Queiroz! Seu fundador, o francês radicado no Porto, Ernest Chandron, recebeu de José Maria Teixeira de Queiroz os manuscritos do filho, Eça, que viria a se tornar um dos maiores ícones da literatura portuguesa.

Torre dos Clérigos

A Torre dos Clérigos é um dos mais belos templos do estilo barroco, símbolo do Porto e monumento nacional de Portugal. Inaugurada em 1763, ela tornou-se o campanário mais alto do país, com mais de 75 metros e levou 10 anos para ser construída.  A igreja contígua é ainda mais antiga, pois foi construída entre 1732 e 1749. As exposições permanentes permitem descobrir a história da Irmandade dos Clérigos, admirar peças do século XVIII ao XIX, coleções de pintura, mobiliário, joalheria e paramentos religiosos. A visita completa custa 5 euros e inclui a Torre e a Igreja.

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Se não quiser pegar uma fila de meia hora ou mais, chegue cedo! Chegamos às 09:00 e havia apenas 4 pessoas na nossa frente. Assim a visitamos com tranquilidade. (Passando por lá na parte da tarde, entretanto, vimos filas enormes). Ah, não se assuste com os 240 degraus. Boa parte é no trajeto dentro da igreja até chegar na torre e há algumas paradas no caminho para descansar antes de chegar ao topo. A vista lá de cima é sensacional!

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A Torre é um dos maiores obeliscos que serve de balisa, ou marca, para dirigirem por ele todas as embarcações que entram na barra do Rio Douro” (Padre Agostinho Rebelo da Costa – 1788)

A Sandería do Porto

Em Portugal  sanduíche é uma palavra feminina (diz-se “a sanduíche”) e é comumente chamado apenas de “sandes”. Depois de visitar a Torre dos Clérigos e arredores, descobrimos a Sandería do Porto, da qual já havíamos ouvido falar, na rua dos Caldeireiros nº85 – apenas uma portinha em um dos antiquíssimos edifícios ali. Como estava cheia, esperamos do lado de fora a nossa vez de entrar e não nos arrependemos! Sanduíches gourmet, grandes, com ingredientes de primeira e feitos na hora, por apenas 4,90 euros cada um! Eu pedi o Clérigos (pasta de azeitona preta, queijo feta, tomate e manjericão fresco) e o Ede optou pelo Douro (frango, queijo de cabra e maçã). Tomamos ainda uma limonada e um copo de vinho tudo saiu por 15 euros!

Miradouro da Vitória

Para outra bela vista do Porto, saindo dos Clérigos, na esquina do lindo edifício do Centro Português de Fotografia fica a rua de São Bento da Vitória. Seguindo por ela chega-se ao Miradouro da Vitória, de onde se tem uma boa vista da Sé do Porto, do Palácio Episcopal e da Ribeira. A ruazinha também é preciosa – antiquíssima! Adoramos passear por ela.

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Largo de São Domingos

Descendo as escadarias do Miradouro da Vitória em direção à cidade baixa, passamos pelo Largo de São Domingos, onde restaurantes, hotéis e lojas mais recentes convivem com negócios centenários que são autênticos museus, como a Farmácia Moreno que funciona ali desde 1804. A zona recebeu uma injeção de vitalidade há alguns anos com a renovação de vários edifícios. Se tiver tempo para visitar, no largo também fica o Palácio das Artes que recebe exposições internacionais importantes, como obras inéditas de Picasso. Foi muito gostoso perambular por lá!

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Praça Almeida Garret e Igreja dos Congregados

Na Praça de Almeida Garrett, bem ao lado da estação de São Bento fica a bonita Igreja dos Congregados. Ela foi construída em 1703 onde anteriormente já existia uma capela dedicada a Santo Antônio, datada de 1662. A fachada, azulejada e com grandes janelões, chama a atenção. Não entramos por falta de tempo, mas a admiramos muito por fora.

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Estação de São Bento

Sabíamos que a arte em azulejos é marca registrada de Portugal, mas, mesmo tendo visitado outras 13 cidades no país, nunca havíamos visto nada como a Estação de São Bento. A história do norte de Portugal é contada nos painéis e o conjunto todo é realmente de cair o queixo! São 551 metros quadrados de azulejos decorados!

IMG_9987Admiramos cada um deles demoradamente para conhecer sua história, como a apresentação de Egas Moniz com os filhos ao Rei Afonso VII de Leão e Castela no século XII, a entrada de D. João I e de D. Filipa de Lencastre no Porto em 1387, a conquista de Ceuta pelo Infante Dom Henrique em 1415, além das cenas bucólicas da vida no campo. Um friso colorido no átrio dedica-se à história dos transportes em Portugal, concluindo com a inauguração das estradas de ferro. Chegamos à tarde e voltamos no dia seguinte pela manhã, pois a vista é melhor com o sol batendo nos vitrais.IMG_9945Além das cenas representadas nos painéis, uma outra, mais atual e viva, nos chamou a atenção: dois garotos de cerca de 9-11 anos, admirando os azulejos, tão boquiabertos como nós. Isso nos encheu ainda mais de alegria – poder ver essa magnífica obra também encantando as novas gerações.

VREA8551Mesmo que você não vá pegar um trem, passe por lá somente para ver algo diferente e lindo. E, se estiver vindo de outra cidade e desembarcando lá, não tenha pressa de sair da Estação – um dos melhores passeios é exatamente esse!

Igreja de São Francisco

A Igreja de São Francisco é uma igreja gótica que começou a ser construída no século XIV na freguesia de São Nicolau, no centro histórico – pertinho do Palácio da Bolsa. Ela era parte de um convento franciscano e é famosa pelo seu interior barroco todo dourado – de cima a baixo! Há também inúmeras obras de arte, que fazem dela um monumento nacional.

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Além do maravilhoso retábulo, o que mais nos chamou a atenção foi a gigante Árvore de Jessé (a árvore genealógica de Jesus) – que não se vê tão frequentemente nas igrejas, por ser do velho testamento. É realmente um incrível trabalho de arte em madeira. Jessé aparece reclinado, com uma árvore crescendo do seu corpo, onde os antepassados de Jesus, os 12 reis de Judá, formam parte dos galhos. Pena que não permitem fotos lá dentro, pois o lugar é de tirar o fôlego. (A foto acima, retratando a árvore, é uma foto oficial da Ordem de São Francisco.)

Após ver a Igreja do Carmo e a de São Francisco, podemos afirmar, sem sombra de dúvida, que a primeira é a mais incrível por fora, enquanto a segunda é a mais estonteante por dentro.

Palácio da Bolsa

O Palácio da Bolsa, ou Palácio da Associação Comercial do Porto, é um edifício de estilo neoclássico que começou a ser construído em 1842, na Rua Ferreira Borges, e é uma atração realmente imperdível. Já na entrada a gente fica pasmo com a beleza do Pátio das Nações e só o Salão Árabe (de 1880, luxuosamente decorado com base no Castelo de Allambra, na Espanha) já justifica a visita, pois é mesmo estonteante!

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Sabíamos que era preciso ir cedo para garantir a entrada para o mesmo dia, assim, fomos logo pela manhã e agendamos nossa visita para as 18:00 (em espanhol mesmo – que era o que havia disponível). É importante lembrar que não é possível entrar sem fazer parte do grupo de visita guiada. Há visitas em várias línguas em horários diferentes – assim, organize-se! Uma boa opção é comprar pela internet e só trocar o voucher pelo ingresso na hora – vai ter que ficar na fila até o guichê, mas o lugar estará garantido para o dia e horário que escolheu. A entrada custa 10 euros. Confira os horários aqui.

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Sé do Porto

Um dos principais cartões postais do Porto, a Catedral da Sé, ou Igreja de Nossa Senhora da Assunção, é mais que uma igreja, é todo um complexo. Parada obrigatória para qualquer turista no Porto, é preciso ir com tempo, pois a visita exige pelo menos umas 2 horas e, se como nós, você ficar hospedado em Vitória, vai precisar enfrentar uma boa subida até ela.

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Logo na chegada uma rampa leva até a entrada, onde está a estátua de Vímara Peres, um guerreiro cristão nascido em Astúrias, na segunda metade do século IX, que, à mando de Afonso III, reconquistou todo o vale do Douro, que havia sido invadido pelos mouros (muçulmanos). Em seguida chega-se à Catedral. A visita é gratuita e somente para acessar o enorme claustro é que cobra-se 3 euros por pessoa – mas vale a pena! É muito bonito, todo decorado com painéis de azulejos e muito bem preservado.

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IMG_0664Erguida como igreja-fortaleza nos séculos XII e XIII, a Catedral foi modificada várias vezes. A linda rosácea na fachada é do séc. XIII e a pequena capela à esquerda do coro tem um retábulo de prata trabalhado, salvo das tropas francesas durante a invasão de Napoleão por uma parede erguida às pressas.

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Depois da visita, ainda há o chamado terreiro da Sé, onde fica uma bela coluna em estilo manuelino e de onde se tem uma vista incrível da cidade, pois ao final do calçadão a mureta funciona como um miradouro.

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Ainda no terreiro da Sé, logo ao lado da Catedral, fica o Palácio Episcopal, a antiga residência dos bispos, hoje aberta à visitação. Aproveitamos para ver também e realmente, sabiam viver os tais bispos! Muito luxuoso por dentro. A entrada custou 3 euros.

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Igreja de São Ildefonso

Saindo da Estação de São Bento e subindo a Avenida 31 de Janeiro até o topo, paramos para admirar a linda Igreja de São Ildefonso, na Praça da Batalha. Construída em 1730, ela é toda decorada de azulejos por fora, como a Igreja do Carmo, mas é pequenina e singela. São cerca de 11.000 peças que decoram a fachada e as torres com cenas da vida de Santo Ildefonso de Toledo. São de autoria de Jorge Colaço (o mesmo dos azulejos da Estação de São Bento). Essa tornou-se a minha preferida!

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Café Santiago

Depois de um dia longo e já morrendo de fome fomos atrás da mais famosa “francesinha” da cidade, um sanduíche com bife, salsicha, linguiça e presunto, coberto por queijo derretido, ovo frito, um molho delicioso e picante que leva cerveja e vinho do porto, acompanhado de batata frita.

O Café Santiago, fundado em 1959, é um lugar simples mas muito concorrido, sendo frequentado tanto por turistas como por locais. As francesinhas lá são bem gostosas e grandes, por isso, vale a pena pedir uma para dividir se não estiver realmente faminto! Outra alternativa é, como nós fizemos, pedir uma francesinha e um cachorro Santiago especial, que é o cachorro quente coberto com queijo e molho.

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Quando fomos havia ao nosso lado uma família de franceses (um casal e três crianças – duas meninas de aprox. 5 e 7 anos e um bebê de colo). Eles estavam quase pedindo 4 francesinhas quando (mesmo com o Ede me chutando as canelas por debaixo da mesa) eu os avisei que talvez fosse muita comida, pois os lanches são mesmo enormes e o molho é apimentado – certamente as garotinhas não os comeriam inteiros. O casal agradeceu muito e alterou o pedido, mas a garçonete me olhou como se quisesse me matar! Conclusão: nada de gorjeta.

De qualquer forma o lanche vale a pena, pois é bem gostoso, gigante e custa 9,75 euros (o cachorro especial custa 6,50). O restaurante ainda serve o “Prego” – o tradicional pão com bife. O Santiago fica na rua Passos Manuel, 226, próximo da Praça da Batalha.

E no próximo post nós descemos para a beira do rio Douro, atravessamos a Ponte Dom Luís I e exploramos o lado de lá! Confira Cais da Ribeira e Vila Nova de Gaia!

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Cais da Ribeira e Vila Nova de Gaia

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Cais da Ribeira e Vila Nova de Gaia

No nosso segundo dia no Porto resolvemos descer para a Ribeira, o cartão postal da cidade e foto de capa deste post! O nome já diz tudo, rio+beira, ou seja, o bairro se desenvolveu ao longo das margens do Rio Douro. É o distrito mais antigo do Porto e existe desde que os romanos estabeleceram ali um forte para proteger as rotas comerciais que cruzavam o rio. Graças ao Douro a cidade também cresceu e enriqueceu nos séculos XV e XVI com as grandes navegações e os descobrimentos portugueses.

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O bairro é um verdadeiro labirinto de ruazinhas antigas, com casas de vários andares, coloridas e grudadas umas às outras. Delicioso para se descobrir com calma e para onde se manda a maior parte dos turistas à noite. Embrenhe-se pelas ruelas e divirta-se com coisas bem Portuguesas, como as geniais placas dos comércios!

Outra grande atração é a Ponte Dom Luis I, que além de linda, é cheia de história. Atravessá-la é o programa de todo turista e conosco não foi diferente. Como fomos no verão, ela estava literalmente fervendo de gente, andando de ambos os lados, em fila indiana! Entretanto, uma vez do outro lado, nos divertimos muito vendo os garotos gritarem e saltarem lá de cima cada vez que juntavam suficientes apostas de um euro para tal. À noite ela também fica linda, iluminando toda a orla da Ribeira.

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Vila Nova de Gaia

Desde a época dos romanos o Porto prospera com o comércio e atravessando a Ponte Dom Luis I chegamos ao outro lado do rio, onde a razão desta prosperidade e fama internacional habita. É justamente lá, em Vila Nova de Gaia, que ficam as principais Adegas de Vinho do Porto!

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Ficamos um bom tempo na orla, observado os barcos passarem e, é claro, tirando centenas de fotos da linda paisagem (as melhores fotos da Ribeira são tiradas justamente de lá, da outra margem do Douro).

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Passeamos bastante por ali. Além das adegas e dos inúmeros restaurantes há também uma feirinha com artesanatos e lembrancinhas.

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Theophilus

Almoçamos no Theophilus no Cais de Gaia (Avenida Diogo Leite, 250), de frente para o rio. Como todos os restaurantes da orla, não é muito barato, mas tampouco é dos mais caros. Já eram quase 14:00 horas e o lugar fervia, mas conseguimos uma mesa de dois lugares no pátio, em um cantinho bem ao lado de uma caixa de correio. O serviço foi demorado, mas não tínhamos pressa. Pedimos acepipes variados (que, ao contrário do que pensa o nosso Ministro da desEducação, são apenas aperitivos), além de pãezinhos de alho e uma jarra de sangria tinta geladinha. Tomamos ainda dois cafezinhos e tudo saiu por 24,40 euros.

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Na mesa ao nosso lado, portugueses muito simpáticos puxaram conversa – dois casais, e mais uma senhora. Eles não moravam ali e estavam somente passando férias na cidade – como fazem todos os anos. Falamos animadamente sobre vários assuntos e rimos bastante até que chegou a comida. Isso nos fez repensar nosso pré-conceito de que todos os portugueses são mal humorados.

Adoramos Gaia! É realmente muito gostoso andar pelo Cais, mas o sol estava de matar e quase não havia onde se esconder! Assim, voltamos para a Ribeira para explorar o Porto um pouco mais.

O Terreirinho

À noite fomos ao Terreirinho, após ler uma indicação em um blog de viagens e não nos arrependemos. Mais barato que os seus vizinhos da Ribeira, o local é um pouco escondido, mas muito agradável. O ambiente é rústico e o atendimento foi ótimo! Um brasileiro (alagoano) muito simpático nos deixou muito à vontade.

Pedimos uma salada mista e um prato de Bacalhau a Lagareiro (estávamos prestes a pedir dois, quando o garçom, gentilmente, nos avisou que seria muita comida – achamos muito legal da parte dele). Tomamos ainda um copo de vinho Adega Villa Real e um de Mateus Rosé e para sobremesa pedimos uma fatia de Pão de Ló com sorvete. Tudo saiu por 34,50 euros.

E assim nos despedimos do Porto! No dia seguinte pegamos o trem cedinho na Estação de São Bento para rever a nossa amada Lisboa. Mas isso já é assunto para outros posts!

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Aveiro – a Veneza Portuguesa

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Aveiro – a Veneza portuguesa

Você sabe o que é uma ria? Nós também não sabíamos até conhecer Aveiro!

Uma ria é um vale fluvial no entorno da foz de um rio, e Aveiro é exatamente assim, cortada pelos vários canais do rio Vouga, o que lhe rendeu o apelido de “Veneza” de Portugal.

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E como em Veneza a cidade também tem suas gôndolas, os chamados ”Moliceiros” que deslizam sobre a água e deixam os canais muito coloridos. Aliás, colorida também é a arquitetura tradicional do quarteirão de pesca, conhecida como Arte Nova.

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O nome “moliceiro” se deve ao fato de que antigamente esses barquinhos eram usados para recolher o moliço – um tipo de alga utilizado como adubo nas plantações. Hoje dedicam-se a levar os animados turistas para cima e para baixo.

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Esse lindo edifício com a fachada de frente para a água (foto abaixo) é a Assembleia Municipal!

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A Praça Humberto Delgado (mais conhecida por Ponte Praça ou Pontes), no centro de Aveiro, à primeira vista não tem nada de especial… Aí você se pergunta: Então por que tanto turista? Na verdade, a praça é muito mais interessante pelo que fica embaixo dela, pois foi construída sobre o Canal Central da Ria. Além do rebuliço de gente que se aglomera ali para tirar fotos, ainda há uma rotunda com um tráfego intenso de veículos.

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Aveiro teve sua ascensão econômica baseada na produção de sal e do moliço e durante séculos foi o que sustentou a cidade. Por isso, em cada um dos quatro lados da praça fica a estátua de uma de suas figuras tradicionais: a Salineira, o Fogueteiro, a Parceira do Ramo e o Marnoto (marnoto é o nome que se dava ao homem que trabalhava na extração do sal).

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A chamada Arte Nova se desenvolveu em Portugal no começo do século XX, principalmente na arquitetura, que se destacava pela minuciosa decoração das fachadas dos edifícios. Portões, varandas e escadarias eram ornamentados por habilidosos artesãos com linhas curvas e naturalistas. Vimos alguns belos exemplos desse estilo na cidade, hoje patrimônio de Aveiro.

Saindo da beira rio e nos embrenhando mais a fundo no centro histórico passamos algumas horas apreciando o casario antigo com suas fachadas azulejadas da Rua das Salineiras e da Rua dos Marnotos. Vimos também a Igreja de Nossa Senhora da Apresentação, a matriz da paróquia de Vera-Cruz, que é do século XVII e está toda restaurada.

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Além de muito autêntica e gostosa de se explorar, a pequena Aveiro tem muitos lugares gostosos para comer, especialmente em frente ao Canal de São Roque. Almoçamos no Cantinho do Bacalhau, na Praça 14 de Julho. Estávamos já cansados e com fome e os restaurantes estava todos bastante cheios. Se puder, não se apresse! Explore melhor as várias opções do Canal ou os próximos ao Mercado do Peixe.

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Praça do Peixe (2)E por falar em peixe – Aveiro é simplesmente o lugar para quem gosta de frutos do mar. Essa tradição está estampada em forma de arte até nos muros da cidade!

Outra especialidade da cidade são os famosos “ovos moles”, um doce tradicionalíssimo cuja receita tem mais de 500 anos e é certificada com o selo de Indicação Geográfica Protegida da União Europeia. Os rebuçados de ovos moles surgiram no Mosteiro de Jesus, no século 16 (onde hoje fica o Museu de Aveiro). Como a maior parte dos doces conventuais, a receita só leva gemas, pois as freiras usavam as claras de ovos para engomar as roupas. Já o açúcar era dado aos conventos pela coroa portuguesa que o mandava trazer da Ilha da Madeira – uma vez que Portugal não produzia cana-de-açúcar.

Experimentamos essa delícia em uma banquinha junto à ria. Se você gosta de quindim vai gostar dos ovos moles! Nas barraquinhas também vendem-se as “tripas” (que apesar do nome pouco apetitoso são apenas a versão portuguesa da crepe francesa), além das “bolachas americanas” (os waffles) – ambos com várias opções de recheio/cobertura, como nutella, mel e inclusive, adivinhe! Ovos moles!

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IMG_E0476.JPGOutra gostosura que se pode provar em Aveiro são as maçãs caramelizadas da The Apple Factory.

A novidade aterrissou em Portugal há dois anos juntamente com a brasileira Denise Shibata, que já era fã do doce aqui e sentiu falta de suas maçãs quando mudou-se para o país. Além de lindas, são deliciosas e bem grandes! Vale a pena dar uma passadinha no Mercado Manuel Firmino para conferir essa gostosura!

E para terminar, se ainda tiver espaço, recomendamos um cafezinho caprichado e mais uns ovos moles na Pastelaria Tricana de Aveiro, que fica em um lindo edifício neoclássico de 1927, quase em frente à Estação de Comboios.

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Como chegar ?

Para ir a Aveiro pegamos o trem na Estação de São Bento até a de Campanha, no Porto – que é de onde saem os comboios. A viagem até essa pequena e charmosa cidade é curtinha – pouco mais de uma hora e custa 3,55 euros.

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Pensar Zeca Afonso (2)Chegando na nova Estação de Aveiro já nos deparamos com um painel em homenagem à Zeca Afonso, o compositor da música que virou hino da Revolução dos Cravos (movimento que acabou com a Ditadura no país em abril de 1974). Essa história é contada no filme Capitães de Abril (saiba mais aqui no Blog, no post Portugal no Cinema). Preste atenção quando passar por lá!

(A estação antiga, e uma das mais bonitas do país –  com a fachada decorada com azulejos – está em fase de restauro desde janeiro de 2019.)

Saindo da Estação fomos à pé em direção ao centro da cidade, seguindo a avenida Dr. Lourenço Peixinho e depois a rua Viana do Castelo. É bem tranquilo. Baixe o mapa oficial da cidade aqui e boa viagem!

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Depois de um dia delicioso, pegamos o trem de volta ao Porto no fim do dia, cansados, mas felizes por ter conhecido essa lindeza de cidadezinha.

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Colonia del Sacramento

En un mundo de plástico y ruído, quiero ser de barro e de silêncio. (Galeano)

A frase do escritor uruguaio Eduardo Galeano resume bem o que tanto turistas como locais vão procurar em Colonia del Sacramento – um oásis de tranquilidade e simplicidade. A cidadezinha colonial nos dá a impressão de que o tempo parou. Rica em cultura, é o passeio ideal para quem passa alguns dias na capital, pois fica a apenas duas horas de Montevidéu.

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Em nossa primeira viagem ao Uruguai marcamos o passeio para lá no Hotel Balmoral. A van saiu do hotel às 08:00 da manhã e no caminho paramos também na Nueva Helvetica (uma pequena Colônia Suíça) para conhecer. Da segunda vez, já mais experientes e a com a família, compramos as passagens Montevidéu-Colonia direto no site da COT e, no dia do passeio, pegamos o ônibus às 09:30 no terminal Tres Cruces (a rodoviária). Os bilhetes, para quatro pessoas, saíram por 1.560 pesos (cerca de R$193,00), por trecho (ida/volta). E em nossa terceira visita, fomos novamente com a COT.

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Muita História

Patrimônio da Humanidade pela UNESCO, Colonia del Sacramento é um pequeno vilarejo, com um farol, a igrejinha del Santíssimo Sacramento (de 1680), ruazinhas de paralelepípedos como a Calle de los Suspiros, vários restaurantes e pousadas.

Desde o Tradado de Tordesilhas de 1494 essa área era objeto de disputa entre as coroas portuguesa e espanhola. A vila fundada em 1680 era um assentamento português desde o início o século XVI, mas ficou estabelecida do lado espanhol da fronteira com o Brasil. Já as Missões Jesuítas no Rio Grande do Sul foram estabelecidas por padres espanhóis em território que pertencia a Portugal. A história diz que os reis de Espanha e Portugal teriam feito um acordo para “trocar” Colonia del Sacramento pelas Missões, mas os índios se recusaram a deixar os territórios que ocupavam há quase dois séculos, o que levou a um enorme massacre dos guaranis e o fim das missões do lado brasileiro (hoje, quem vai à região encontra somente as ruínas). Assim, em 1778 Colonia passou a pertencer definitivamente à Espanha.

Portón de Campo

Monumento histórico, erguido em 1745 por ordem do governador português Vasconcellos, o Portón de Campo é um portão de pedra junto à ponte levadiça de madeira que ligava o antigo forte ao atual bairro histórico. Antigamente era a única entrada por terra da cidade murada de Colonia e havia um fosso de vários metros circundando a muralha. A outra entrada era somente pelo Mar del Plata. Aproveitamos e tomamos um sorvete de dulce de leche na sorveteria logo em frente antes de ir adiante na exploração da cidade. Passear por ali é muito agradável.

Atravessando o Portón del Campo você chega à Plaza Mayor, já seguindo a muralha para a esquerda vai encontrar o Bastión de San Miguel e ao entrar na Calle de San Pedro verá um lindo painel de azulejos em homenagem a São Miguel. 

Plaza Mayor

A Plaza Mayor de Colonia data da fundação da cidade e fica entre a famosa Calle dos Suspiros e o Farol. Aborrizada e bem cuidada, no meio estão as ruínas da Casa de Los Gobernadores, um casarão português do qual sobrou a fundação de pedra. Através dela pode-se observar que a estrutura tinha quatro plantas com vários quartos e um pátio interno. Por ser um sítio arqueológico, não se pode circular no interior, mas o local tem placas explicativas. Vale a pena olhar com calma.

Igreja del Santíssimo Sacramento

A ação do tempo foi deteriorando sua estrutura e ela teve que passar por várias reformas, inclusive por conta de um incêndio que destruiu toda a cobertura que era de madeira. Hoje, caiada, quem olha por fora não vê a construção de pedra, mas por dentro é possível observar um espaço que foi descoberto deixando a pedra bruta à mostra, além de uma de suas grandes colunas. Sua simplicidade a faz muito acolhedora.

Calle de Portugal

Descer a Calle de Portugal (ela dá de frente com a Igreja Matriz) é uma delícia. Faça com calma, apreciando as construções portuguesas e as floradas de bougainvilliers e até mesmo carros antigos transformados em floreiras.

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Calle del Colegio

Outra ruazinha gostosa é a Calle del Colegio. Já imaginou estudar num colégio que existe desde 1717? Ele foi o primeiro centro de ensino do Uruguai e é um dos vários Patrimônios da Humanidade existentes em Colonia.

Calle de los Suspiros

A Calle de los Suspiros é a ruela mais famosa da área histórica de Colonia. Ela fica ao lado da Plaza Mayor e sobreviveu intacta por centenas de anos, algumas das construções coloniais são dos séculos XVII e XVIII. Há várias com as casinhas rés-do-chão em pedra e com telhado de madeira, alguns antigos edifícios com reboco de barro e fachadas pintadas de amarelo ou vermelho, várias árvores e o pavimento é todo de paralelepípedos. Pode-se ver farol e orla em frente.

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Não há muitos registros, mas a rua costumava chamar-se Ansina e acabou mudando de nome para Calle de los Suspiros. Diz a lenda que por ela passavam os prisioneiros condenados à morte. Eles eram levados para a parte mais baixa da orla e lá eram amarrados para morrerem afogados quando a maré subia. Portanto, ali davam seus últimos suspiros.

Outra lenda conta que no local havia vários prostíbulos na época colonial e os marinheiros iam para lá tão logo pisavam em terra firme. Quando passavam pela rua, suspiravam pelas moças – daí o nome.

Dica: Não deixe de visitar os museus da cidade! Visitamos alguns e escrevemos sobre eles no post Museus de Colônia Sacramento

Calle de las Misiones do los Tapes

Outra ruazinha antiquíssima é a Calle de las Misiones de los Tapes. O nome deriva da missão jesuítica criada ali para a evangelização dos índios Tapes, uma tribo aparentada com os guaranis. Desça por ela a partir da Plaza Mayor, esquina com o Museu Municipal, e vá apreciando a viagem no tempo!

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O Farol

O farol data da época da disputa entre espanhóis e portugueses pelo território e, depois de inúmeros naufrágios, foi construído para direcionar os barcos que chegavam à cidade. Utilizado por muitos anos, ele foi testemunha de várias batalhas navais. O atual farol é de 1855 e fica ao lado das ruínas do Convento de São Francisco. Pode-se subir até o alto para contemplar a linda vista do Mar del Plata e da cidade velha – até a porta da citadela. O farol fica aberto todos os dias durante o dia e só fecha ao entardecer. No verão há fila para subir, por conta do grande número de turistas. A entrada custa 36 pesos uruguaios (cerca R$4,50) por pessoa.

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Rambla, Punta de San Pedro e Magalhães

O Bastión de San Pedro de Alcantara fica no Paseo de San Gabriel. Seguindo a Rua Paseo de São Pedro ou descendo a Plaza Mayor em direção ao rio. É uma ponta da cidade com uma linda vista para o Rio da Prata. Há também um mirante e uma placa em homenagem aos fundadores da cidade, sob enorme bandeira do Uruguai.

A expedição de Fernão de Magalhães, o navegador português, foi a primeira a circunavegar a terra. Preterido em seu país, ele ganhou o apoio do Rei da Espanha para a viagem e partiu de Cádiz em 1519 com 240 homens. Logo ao entrar no Mar del Plata (chamado Mar de Solís) observaram na área índios canibais e viram também uma elevação, que chamaram Montevidi. A expedição era composta de 5 navios (San António, Trinidad, Concepción e Santiago) e permaneceu em frente à “Siete Islas” de la Enseada de San Gabriel (hoje Colonia) de 16 a 20 de janeiro de 1520. (Você pode ver essa aventura na série ‘Sem Limites”).

Seguindo a rambla vai encontrar uma placa marcando o local onde os marinheiros teriam erguido uma cruz.

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Dica: depois de tanto caminhar você certamente estará com fome. Dá uma olhada no nosso post Comer e beber em Colônia e veja alguns lugares legais.

Onde ficar?

Das três vezes que visitamos a cidade nos hospedamos em duas. Abaixo contamos nossas experiências.

Posada La Juanita

Nós não dormimos na cidade na primeira viagem porque já tínhamos todas as noites marcadas em Montevidéu (só conseguimos pegar o pôr do sol). Já desta vez decidimos pernoitar pelo menos uma noite em Colonia e não nos arrependemos!

Escolhemos a Posada La Juanita, na Calle del Comercio, na cidade velha, justamente por isso: é velha! A casa é do século XVII, toda de pedra, mas por dentro… uma belezinha, toda decorada em estilo vintage. A hostess, Eva, também foi muito bacana conosco e o café da manhã é bom. Nos apaixonamos pelo lugar. Fizemos as reservas pelo Booking.com e os dois quartos saíram por 136 dólares.

Posada La Manuel Lobo

A poucos passos da Igreja Matriz na Cidade Velha de Colônia Sacramento, em nossa terceira visita a Colonia escolhemos a La Manuel Lobo, justamente pela localização. Nossa surpresa ao chegar foi saber que os donos são os mesmos da La Juanita. Fomos recebidos pela Carolina, uma menina fantástica! Atenciosa, simpática e que conversou muito conosco e nos deu muitas dicas. Foi como ficar três noites na casa de uma amiga. Muito descontraído e relaxante. Além disso o lugar é um charme, muito tranquilo, limpíssimo e bem decorado. Nosso quarto era amplo e gostoso, o banheiro grande e a água abundante. O café da manhã tinha muita coisa gostosa, suco de laranja natural e fresco, doces artesanais… enfim. Tudo de bom! Adoramos e recomendamos muito para casais e famílias. Não tem erro!

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“Antes de iluminar mi celosía tu bajo sol bienaventura tus quintas (…) Ciudad que se oye como un verso. Calles con luz de patio  (Borges)

Uma das coisas mais bacanas de Colonia são as arandelas com lâmpadas de luz amarelada que iluminam as ruas. Esse charme colonial está em cada esquina e, à noite, a pouca luz que geram dá ao vilarejo um ar de mistério.

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E assim deixamos a tranquilidade de Colonia na manhã seguinte… já com vontade de voltar. Se você gostou, arruma as malas!

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Veja também:

Comer e beber em Colonia

Museus de Colonia del Sacramento

Turistando a velha Montevidéu

Tango em Montevidéu sim Senhor!

Comer bem em Montevidéu

Feira de Tristán Narvaja

Punta Carretas, Rambla e Farol

Punta del Este

Casapueblo e Vilaró

 

Budapeste no Cinema

Nossa última viagem a Budapeste, em maio, nos deixou com ainda mais saudades. Saudades de Terézváros, de Erzsébetváros, do Castelo de Buda, do Danúbio, da ponte István Széchenyi… Por isso, seja para relembrar, ou para conhecer um pouco da história da Hungria antes de ir, sugerimos ver alguns filmes e viajar neles também!

Sunshine
Sunshine

(O Despertar de um Século, 1999) Durante quase 150 anos, três gerações de uma família judia-húngara passam por muitas mudanças durante as sucessivas revoltas políticas que afetam seu país, no século XX. Quando a Alemanha invade a Hungria, em 1944, os Sonnenschein também são afetados pelo holocausto e quando são liberados pelo exército vermelho veem a ascensão do comunismo, seu endurecimento e a frustrada Revolução de 1956.

O filme traz Ralph Fiennes, Rachel Weisz, Jennifer Ehle e Deborah Kara Unger. Tanto o roteiro quanto a direção são de István Szabó, cineasta húngaro muito reconhecido. Veja o trailer aqui.

A Martfűi Rém  
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(O assassino de Martfű, 2016) Estrangulado ou “Strangled”, em inglês). Ele é baseado na história real de Péter Kovács, o serial killer que aterrorizou a cidadezinha industrial de Martfü nos anos 60. Um detetive é enviado de Budapeste para solucionar o mistério das mulheres que aparecem estranguladas nas proximidades de uma fábrica de sapatos. Com poucas pistas, ele precisa lidar com a pressão do procurador para que encontre um culpado e mande enforcá-lo rapidamente. O filme tem um clima de conspiração noir que recria bem a atmosfera sufocante do regime comunista. A trama também expõe um sistema de justiça extremamente falho e violento, em uma das investigações criminais mais memoráveis do país. Com um roteiro bem elaborado, personagens interessantes e cenas perturbadoras, prende bastante. Uma superprodução de época, com reconstituição histórica de figurinos, objetos e cenários, além de boas locações. Ele venceu o Hungarian Film Awards. Veja o trailer (legendas em inglês).

Budapest Noir

(Crime em Budapeste, 2017) – Hungria, 1936. Ascensão do antissemitismo e do fascismo. O primeiro-ministro está morto. Ao passo que o país se radicaliza e se prepara para apoiar Hitler, o brutal assassinato de uma jovem e bela prostituta desencadeia uma investigação decisiva para o cenário político. Como ninguém parece querer desvendar o misterioso crime, um impetuoso repórter tenta elucidar o caso sozinho. Baseado no romance policial, de mesmo nome, de Vilmos Kondor. Uma boa trama com corrupção, traições, segredos e as sensacionais locações fazem de Budapest Noir um suspense que prende até o fim. Pra rever Terézváros, Erzsébetváros, o Castelo de Buda e a István Széchenyi. Está na Amazon Prime.

E se você curte mesmo um suspense …

Apró mesék
Tall Tales

(Contos de Guerra, 2019) – No fim da Segunda Guerra Mundial, Hankó, um golpista, tira proveito do caos e insegurança na Hungria fingindo conhecer soldados desaparecidos. Quando é forçado a fugir de Budapeste, chega a um bosque e conhece Judit, uma mulher casada, e seu filho, Virgil, e acaba indo morar com eles. Tudo vai bem até que algo inesperado acontece e ele se vê cada vez mais enredado em sua teia de mentiras. Covarde ou herói? Hankó vai ter a chance de se redimir, mas isso poderá custar sua vida. O filme mostra logo no início cenas reais das pontes de Budapeste destruídas e os escombros ao longo do Danúbio. A trama é boa e prende bastante! (Uma curiosidade é que  foi rodado em 36 dias.) Está na Amazon Prime.

Félvilág
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(A Garota Húngara, 2016) – Budapeste, 1914. Em uma manhã fria uma caixa de vime flutua no Rio Danúbio, dentro está o cadáver de uma mulher. O filme traz a história de Elza, uma prostituta de elite, sua invejosa governanta, Rószi Kóbori, e sua nova empregada, a ingênua Szebeni Kató. Elza é mantida por um rico empresário, com quem tem um contrato de fidelidade. O filme conta o caso verídico de uma famosa prostituta húngara chamada Elza Mágnás. Seu assassinato e o julgamento do crime chocaram o mundo na época. Uma interessante reflexão sobre a condição feminina na Europa no início do século XX, em que as mulheres não passavam de propriedades e quando quebravam “contratos”, pagavam um alto preço por isso. Outra boa opção para conhecer um pouco mais do cinema húngaro. Está na Amazon Prime (Starz).

Napszállta

(Entardecer, 2019) – Budapeste, 1913, reinado do imperador Franz Joseph I. A jovem Írisz Leiter (Juli Jakab) volta à cidade após ter sido mandada para Trieste quando tinha apenas dois anos, logo depois a morte dos pais, fundadores de uma famosa loja de chapéus. Além da tragédia, um mistério ronda a loja de sua família e, em meio à tensão política com a iminente queda do império austro-húngaro, Irisz está determinada encontrar o irmão, Kálmán, e descobrir a verdade. A atmosfera é sufocante e de constante mau presságio, o que combina com o momento histórico do filme – os anos que precedem a 1a Guerra Mundial. Fotografia, cenários e figurinos muito bons. Está na Amazon Prime.

Veja também:

Volta a Budapeste

Castelo de Vajdahunyad

Belgrado

Sarajevo – a Jerusalém da Europa

Sarajevo e a Guerra Civil Iugoslava

Zagreb

Gornji Grad – A alta Zagreb

Stari Grad Dubrovnik

Braşov, Transilvânia

Castelo de Bran e a lenda de Drácula

Castelo de Peleș

Sófia, Bulgária

Boyana & Rila