Continuando nosso roteiro maluco pela tonga da mironga do kabuletê, a gente foi de Sarandë na Albânia para Ohrid, na Macedônia. Confesso que sabíamos pouco sobre ela, exceto que era linda e que um dos maiores personagens da história grega era macedônio: Alexandre, o Grande. Como o plano era conhecer todos os países dos Bálcãs, aproveitamos o rolê.














A Macedônia é uma das ex-repúblicas da Iugoslávia que se tornou independente em 1991. O processo foi pacífico, diferente dos outros países da região como a Eslovênia, Sérvia, Croácia, Montenegro, Bósnia Herzegovina e o Kosovo (nosso próximo destino).
A Viagem
Descobrimos que o único ônibus que nos levaria mais perto da Macedônia não era um ônibus, mas uma minivan, que ia para Elbasan, no meio da Albânia. Ela saía às 11:30 de Sarandë, levava 5h30 e custava 1500 lekes (R$90) por pessoa. Segundo o Sr. Ariam, o motorista, quando chegássemos lá ele ligaria para alguém que faria o resto do trajeto conosco até Ohrid. No final, o próprio Sr. Ariam se ofereceu para nos levar até Kjafasan, na fronteira da Macedônia. Então, depois que todos os passageiros desceram, fomos até a casa dele, onde deixou a van e pegou seu carro, além da esposa e do filho pequeno, que viajaram conosco para visitar parentes.







Pagamos mais 6000 lekes (cerca de R$370), para um trajeto de 1h30, mas chegando na fronteira, ele já tinha negociado para outro táxi nos esperar. Então fizemos a alfândega, já dentro do carro com o Sr. Agram, que nos deixou na porta do nosso hotel na cidade velha de Ohrid. Detalhe, o Sr. Ariam não falava inglês! Mesmo assim nos comunicamos com um pouquinho de italiano (que ele entendia bem e a gente falava mal) e muita boa vontade.

A rodovia é ótima e vai seguindo o rio Shkumbin. Viagem longa, mas a paisagem era linda e chegamos sãos e salvos! Como diz o ditado: “where there´s a will there is a way” (quando há boa vontade há sempre uma maneira).
Língua e Grana

Embora tenha origens gregas, na Macedônia fala-se o macedônio, uma língua eslava. O alfabeto é o cirílico e muito do vocabulário é parecido com o sérvio e o búlgaro. Como nem na Sérvia e nem na Bulgária a gente conseguiu aprender nada, a comunicação foi em inglês mesmo. Em geral o pessoal fala bem mal, mas dá para atender os turistas com o básico. A moeda é o dinar e o câmbio é cerca de 1 real = 10 dinar, mas o preços são eurorizados e Ohrid é bem badalada, então não é tão barata.
Ohrid e os herdeiros de Hércules
Ohrid é Patrimônio Mundial da UNESCO desde 1980 e, até hoje, é a única cidade macedônia a ter esse título. Um dos povoamentos mais antigos da Europa, os habitantes se diziam herdeiros do herói grego Hércules. A cidade fica em torno de um lindo lago e é mencionada em documentos de 353 a.C., na época chamada de Lychnidos, a “cidade das luzes”. Somente em 879 d.C. é que o nome mudou para Ohrid, que significa “na colina”.






Dimitrija Gorna Porta
A Gorna Porta é a porta de entrada. Foi atravessando-a que entramos em Varosh, a cidade velha de Ohrid, que fica na parte alta. Velha e linda sob o sol da primavera.

Villa Kale
Como sempre, queríamos ficar no bairro mais antigo, por isso escolhemos o Villa Kale, na rua Klimentov Universitet. Acertamos em cheio na localização, pois ele fica em Varosh aos pés do Castelo e a poucos minutos do Anfiteatro Romano e da Sveta Sofija. Fizemos tudo a pé. O café da manhã era continental e bem servido. Nosso quarto era agradável, bem decorado e tinha vista para o lago.





Na noite de sexta-feira havia música alta na rua até tarde e as janelas não davam conta de vedar todo o barulho, mesmo assim dormimos bem. Ficamos 3 noites e pagamos R$ 664,92. O atendimento do Sr. Stefan, o dono, foi ótimo, muito solícito e sorridente, uma das coisas que mais nos fez sentir bem. Valeu muito a pena.



Varosh, a Cidade Velha
Os antigos bairros de Varosh e Mesokastro tem algumas ruas tão estreitas que não passam um carro e uma moto juntos. Há muitas escadarias e as construções que vemos hoje vão dos séculos VII ao XIX. Passear por suas ruas é voltar no tempo contemplando mesquitas, ruas de paralelepípedos, casas de pedra e muitas, muitas igrejas.



Diz-se que há cerca de 365 igrejas em Ohrid, “uma para cada dia do ano”. A cidade é inclusive um lugar sagrado e de peregrinação para o mundo ortodoxo. Há séculos ela já era um ponto cultural e econômico importante, servindo de centro episcopal da Igreja Ortodoxa Búlgara.







Restoran Sveta Sofija
Como chegamos tarde e bem cansados, (afinal foram 7 horas de viagem!) mesmo com fome resolvemos tomar um banho, tirar uma soneca e só dar um giro pelos arredores depois. Por recomendação do Sr. Stefan, descemos uns 100 metros para jantar no Sveta Sofija. Friozinho, ar da montanha, ideal para uma sopinha! Sopa de peixe, sopa de legumes, truta assada e uns bolinhos para acompanhar! Pedi achando que eram pierogue porque o nome era “pieroshki”, mas eram uns rolinhos de queijo tipo primavera, iguais aos que havíamos provado em Tirana. Comemos muito bem e decidimos voltar para o almoço!






O lugar é caro se comparado a outros em Ohrid, mas a comida é realmente saborosa e uma das melhores coisas na Macedônia é que quando você pede uma salada com queijo ela vem com QUEIJO… muuuito queijo! Recomendamos muito o Sveta Sofija. Tudo o que provamos estava bem gostoso.







Sveta Bogorodica Perivlepta
A Igreja da Mãe de Deus Peribleptos (de 1295) e o Museu dos Ícones ficam quase em frente à Gorna Porta, pertinho do Villa Kale. Fomos para lá logo cedo no dia seguinte à chegada. Ela é dedicada à Virgem Maria e “perivlepta” significa aquela que tudo vê, tudo ouve e tudo sabe. Lá estão os tesouros da iconografia medieval da Macedônia. Durante a Segunda Guerra as famílias locais esconderam os ícones sagrados dos nazistas, em suas próprias casas, mas, infelizmente, muitos foram levados. Ainda assim, trata-se de uma das coleções de arte bizantina mais importantes do mundo, com exemplares do século XII, de valor inestimável.









Anfiteatro Grego
O Anfiteatro Grego fica ao pé da colina mais alta de Ohrid, abaixo da Fortaleza de Samuel, passando a Gorna Porta. Fomos caminhando e quando achamos que estávamos perdidos, topamos com ele. É do século II (ou seja tem quase DOIS MIL anos!) e foi erguido para apresentações de teatro, música e poesia. Quando os romanos conquistaram a região, em 148 a.C., ele foi adaptado com uma arena para batalhas de gladiadores e animais selvagens. Assim, vários dos assentos da fileira inferior foram demolidos para a construção de gaiolas e lugares de honra para os nobres. Mesmo sendo um sítio arqueológico, ainda é utilizado para apresentações, principalmente no verão.

“Nunca ninguém se perdeu, tudo é verdade e caminho” (mas até quando a gente se perde por aqui, é lindo!)


Castelo de Ohrid
Passando o anfiteatro, seguimos a trilha até o castelo, conhecido como Fortaleza de Samuel. É a maior fortificação medieval da Macedônia. Foi construído no lugar de um outro ainda mais antigo, de 209 antes de Cristo e erguido pelo Rei Felipe II, pai de Alexandre – O Grande (aquele do filme de Olivier Stone!). Ele foi conquistado e reconstruído várias vezes, por romanos, bizantinos, eslavos e turcos otomanos.




A estrutura atual data dos anos 976 a 1014 e protegia a cidade por cerca de 2km com três paredões, uma vez que o restante da área dava para o lago, que fica 100 metros abaixo. A vista é espetacular.







Sveta Sofija
A Igreja de Santa Sofia é uma das mais importantes da Macedônia. Na antiguidade a pequena praça logo em frente costumava ser o principal fórum da cidade. Ela é de 1035. Isso mesmo: MIL E TRINTA E CINCO! E abriga uma das maiores coleções do mundo de afrescos do século XI. No altar há mártires do início do cristianismo e cenas do antigo testamento.







Pizzaria Via Sacra
Quase em frente à Sveta Sofija (e do restaurante de mesmo nome) fica a Pizzaria Via Sacra, com mesinhas ao ar livre. Almoçamos lá em nosso 2º dia, depois de visitar a igreja. Pizza, salada e um vinhozinho gelado. Ótima pedida.






Monastério de St. Clement e Pantelejmon
Ele fica em Plaosnik, um pouco fora da cidade velha (Varosh), mas dá para ir a pé. Chegamos lá descendo por um caminho no meio do bosque do Old Town City Park, que começa logo abaixo da Fortaleza de Samuel.

É o monastério eslavo mais antigo e também o lugar mais sagrado para os macedônios. Foi ali que no século X os discípulos dos irmãos São Cirilo e São Metódio, Clemente e Naum (que também viraram santos depois) criaram o alfabeto cirílico e o espalharam pela região. A primeira universidade eslava também foi aberta em Ohrid, para propagar o ensino da bíblia em língua eslava antiga.









Os restos mortais de São Clemente estão na igreja, que é uma reconstrução, pois a original, erguida pelo santo quando chegou em Ohrid, foi destruída pelos turcos otomanos. Peregrinos costumam ir rezar no túmulo e beijar o ícone do santo ao entrar a igreja, principalmente durante a Páscoa e o Natal. O local também abriga vários sítios arqueológicos.

Sveta Jovan Kaneo
Descemos a trilha de Plaosnik em direção à Sveta Jovan, a igreja de São João Apóstolo. Não se sabe ao certo a data da construção dessa igreja em formato de cruz no penhasco do lago, mas arqueológicos acreditam que tenha sido por volta do século XIII, bem antes do auge do império otomano (1447). Ela pertence ao bairro de Kaneo, a tradicional vila de pescadores de Ohrid. Como ficou abandonada por muitos séculos, acabou não sendo destruída e pôde preservar seus ícones. E por falar em ícone, ela é o ícone da cidade e seu maior cartão postal.






O lago mais velho da Europa
Pensa num lago de 3 milhões de anos! O lago Ohrid é um dos mais velhos do mundo e o mais antigo da Europa. Ele é a alma e a riqueza da cidade, produzindo desde peixes, em especial a truta, até pérolas, que aliás são famosas no mundo inteiro.


Kaneo Plaosnik Pateka
“O Belo fala por si mesmo. Ao dar-mo-nos conta, já estamos algo (ou totalmente) anestesiados ante ele. Por que é assim? De onde vem nossa suscetibilidade ao que chamamos Belo? Nessa experiência não existe racionalização. Ela É! ”

Só a vila dos pescadores em Kaneo já valeu a viagem para Ohrid! É um lugar mágico. Uma plataforma de madeira circunda o rochedo e dá passagem até o Promenade (o calçadão do centro comercial).




Mesokastro e Old Bazaar
Varosh é o melhor lugar para se hospedar, mas Mesokastro, o bairro formado pelas ruelas acima da Old Bazaar, também é uma boa opção. No passado era onde os pobres viviam. Hoje, tem casas antigas e belas vistas do lago. A Old Bazaar, a rua principal do centro, é fechada para carros. Como o nome diz, é a rua do antigo mercado, portanto há lojas dos dois lados. Ela se parece muito com a Stradum de Dubrovnik com seu piso simétrico e reluzente. No final dela começam a aparecer restaurantes e bares.


Pizzaria Americano
Segundo jantar na cidade, saímos ao anoitecer, demos uma boa volta por Mesokastro até a Old Bazaar e, subindo umas escadinhas, encontramos a Pizzaria Americano, na rua Argir Marinchev, nº 3. Lugar agradável e com bons preços. A garçonete falava um inglês razoável e foi bem prestativa. Não estávamos com muita fome, mas a pizza era grande e bem gostosa.






Ohrid à Noite
Para sobremesa compramos baklavas e saímos comendo e apreciando o movimento dos locais indo à Mesquita. Entretanto, saindo da Old Bazaar, as ruas ficam vazias e silenciosas…






Sveti Nikola Bolnički
A igreja foi construída entre 1313 e 1314 pelo fundador e arcebispo Nikola de Ohrid. Infelizmente estava fechada quando passamos por lá. Um artefato raro da igreja é a porta da entrada, esculpida em madeira. Ela hoje está no Museu Arqueológico e Histórico de Sofia, que tivemos a sorte de visitar quando fomos à Bulgária.

Sveta Bogorodica Bolnička
Logo ao lado fica a Sveta Bogorodica Bolnička. Nem mesmo a Sveta Sofija, que é de 1035, nos impressionou tanto quando essa singela capela de apenas uma nave. Ela foi construída por Jakov, o fundador e abade do mosteiro de Clement. Sabe-se que os afrescos foram pintados entre 1368 e 1370, o que significa que ela é ainda anterior. O iconastasis é de 1833 e um dos mais belos exemplos da escultura em madeira de Ohrid. Uma lindeza que conta um pouco da história do povo do lugar.


Ambas capelinhas (Nikola Bolnički e Bogorodica Bolnička) fazem parte do patrimônio histórico mundial da UNESCO.




Museu Robevci House
Virando à direita na Old Bazaar, fica a Tsar Samoil, com várias casas históricas do período turco otomano, como a Robevci. O Museu foi instalado no antigo casarão da família Robev. Reconstruída entre 1863 e 1864, a casa está dividida em duas partes. Konstantin Robev morava na parte esquerda e seu irmão Atanas (Tase) Robev, na direita. Os irmãos eram comerciantes conhecidos em Ohrid e o local é de grande importância cultural e histórica.



O interior e o exterior foram parcialmente renovados com elementos tradicionais originais, de modo que a casa permanece como um dos exemplos mais representativos da arquitetura de Ohrid do século XIX.



Um andar é etnográfico e possui móveis, roupas e joias otomanas e no outro pode-se ver joias em ouro, vidros e cerâmicas do período romano, encontrados em tumbas funerárias em Plaosnik e no Castelo.




A principal peça é uma máscara funerária infantil toda em ouro, achada inteira! Foram encontradas somente três, uma delas está no Museu do Louvre, outra em Belgrado e apenas essa permanece aqui. Ela inclusive estampa a nota de 500 dinares.




O museu tem ainda um lapidário, com lápides romanas dos séculos I, II e III depois de Cristo encontradas em vários locais em Ohrid, principalmente no site arqueológico de Plaosnik. Há peças com inscrições em grego, como um monumento em honra de Aurelius Crates de Ptolomeu e outro para o imperador romano Giordano III, do séc. III. Há também um altar com um epitáfio em versos gregos erguido pelos pais, entre os séculos I e II, lamentando a morte da filha. Ele foi encontrado na antiga Igreja da Mãe de Deus Peribleptos.



Promenade
Descendo a Old Bazar até o final chegamos ao Promenade, o calçadão às margens do lago. Lá estão várias estátuas importantes para os macedônios como os santos Cirilo, Metódio, Clemente e Naum.









No café da manhã do hotel conhecemos o Robert e a Iwona, polacos que vivem em Londres há 15 anos e também gostam de viajar. Nos encontramos de novo no Castelo e depois no pátio da Igreja da Mãe de Deus Peribleptos. Quando topamos com eles mais uma vez, em frente ao lago Ohrid, paramos para tomar um café e conversar. E foi muito legal! O tempo passou que nem vimos. Marcamos então de jantar juntos.

Aí a gente está no antigo píer do lago fazendo umas selfies toscas e esses guris nos pedem pra tirar uma foto deles. Tiramos e aproveitamos para pedir-lhes o mesmo. Além de bater algumas nossas eles resolveram se registrar no meu celular também, rindo muito e fazendo pose. Boys will be boys!




Caminha o dia inteiro, sobe morro, sobe escada, desce morro, desce escada… olha aí o que acontece.

Não, não caímos de cansaço! Seu Edevaldo só resolveu filmar os peixinhos de perto.





Viva Ksantika
Última noite na cidade, marcamos com o Robert e a Iwona de nos encontrar no Viva Ksantika para nos despedimos de Ohrid. No dia seguinte eles seguiriam viagem, de carro, para uma cidadezinha no interior, para um casamento e nós, sairíamos cedo em direção ao Kosovo.






O restaurante fica na rua Samuilova, 23 e é bem tradicional e barato. Não falavam inglês, mas o cardápio tinha a tradução dos pratos e comemos uma mussaka e um pimentãozinho recheado muito gostosos. Bebemos uns copos de vinho, umas rakijas, conversamos bastante e saímos trançando as pernas… tanto que até nos perdemos um pouco para achar o Villa Kale em meio às ruelas estreitas e escuras…



O Casamento
Um casamento tradicional da igreja ortodoxa macedônia é certamente algo muito interessante, principalmente em relação aos trajes dos noivos. Adoramos quando a Iwona nos mandou algumas fotos da festança!


E acabou-se o que era doce
De Ohrid fomos para Pristina, no Kosovo. Segundo o site busticket4me, havia um ônibus saindo 9:30 da manhã e chegando 12:30 em Skopije, onde pegaríamos um trem as 16:10. Levantamos cedo e 9:15 estávamos na estação. Só que ao chegar no guichê descobrimos que esse era o horário de verão… Mas isso já é outra história…








Para ver antes de ir

Alexandre (2004) – O filme conta a história de Alexandre, que se tornou rei aos vinte anos e herdou do pai, Filipe II da Macedônia, um poderoso exército. Na infância aprendeu a lutar, ler, tocar lira, cavalgar e caçar. Na adolescência foi aluno de Aristóteles, assim como Ptolomeu, amigo e general (e talvez meio-irmão) de Alexandre, fundador da dinastia no Egito que levaria a um dos ápices culturais da humanidade com a Biblioteca de Alexandria. Ele reinou entre 336 e 323 a.C.

Alexandre (2024) – A série conta a jornada do jovem rei que se acreditava filho de Zeus e unificou as cidades-estado gregas. Alexandre, o Grande também ousou desafiar o reino mais poderoso da época e, em pouco mais de dez anos, levou o Império Macedônico até a Índia e ao Egito. Invadindo a Pérsia (atual Irã) ele liderou a Liga Coríntia vencendo batalha após batalha. A produção combina a dramatização de um longa com uma narração histórica e comentários acadêmicos.
Viajar nada mais é do que aumentar o seu repertório cultural. Não serve só para voltar com a mala de rodinhas mais cheia, mas a bagagem de conhecimentos também!
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