Andamos tanto por Sarajevo da primeira vez que chegamos com a confiança de quem já conhece tudo. Muito gostoso rever as ruelas de Baščaršija, ficar de novo no mesmo hostel, comer de novo na mesma birosca, andar a Ferhadija apreciando o vai e vem dos turistas e dos locais, encher nossa garrafinha d’água na fonte da Mesquita Gazi Husrev Bey, visitar a Vijećnica sem pressa… Sarajevo já é um pouco NOSSA! Estávamos com saudades!









Franz Ferdinand
Chegando de Mostar, pegamos um taxi na estação com o senhor Ermin, um motorista bem simpático, e fomos batendo papo, direto ao Hostel Franz Ferdinand, o mesmo em que ficamos em 2019. Ele é centralíssimo, fica na Jelića, a rua ao lado da Catedral do Sagrado Coração e há poucos passos do início de Baščaršija, além de bem confortável. Pagamos 494 reais por duas noites no Verdum, um quarto privativo, com banheiro.



Baščaršija
E sabíamos que estamos novamente na Jerusalém da Europa quando entramos em Baščaršija (pronuncia-se BARS CHÁR JIA), o bairro oriental e o mais antigo da cidade. Baščaršija é uma palavra de origem turca que significa “mercado principal”. É um verdadeiro labirinto de ruas e becos estreitos que nos fazem voltar aos tempos otomanos com suas mesquitas antigas, madraças (escolas de alcorão) e lojas orientais.










Parada para visitar a linda Fonte de Sebilj, no meio da praça. Ela é de 1753 e toda em madeira.

Diz a lenda que quem beber das fontes de Baščaršija voltará à Sarajevo. E não é que dá certo? Nós bebemos da fonte da Mesquita Gazi Husrev-beg em 2019 e voltamos! (E agora bebemos de novo… just for good measure!). Será que vamos visitá-la uma 3ª vez? Insh’Allah.




E o que o povo mais come na Bósnia?
Come-se muito bem, como já havíamos comprovado, mas uma das coisas que mais se come é exatamente o que mais gostamos: burek! Massa folhada extra fina com recheio de queijo, espinafre ou carne, servida com iogurte natural. Logo de cara já fomos procurar a Buregdzinica Bosna pra matar a vontade!





Outra coisa que adoramos: baklava! (doce de massa folhada finíssima com pasta de amêndoas, nozes, pistache, banhada em calda de açúcar ou mel). Também tem outras delícias… para comer com os olhos. Dá vontade de lamber as vitrines!
O único problema é que a gente caminha igual uma égua e perde só 10 calorias, mas come uma única baklava e ganha 8937!




E para beber, nada mais tradicional que suco de romã na rua!


Além das Buregdzinicas (lanchonetes de burek), tem também as Ćevabdžinicas (restaurantes cuja especialidade é o Ćevapi – rolinhos de carne moída). Uma das mais populares é a Ćevabdžinica Hodžić, na Bravadžiluk, 34.



As ruas de paralelepípedos de Baščaršija são o lar de alguns dos melhores restaurantes e cafés de Sarajevo. Há uma cultura de café animada e os bósnios tomam muito chá e café quentes, mesmo no verão. Mas pra driblar o calor enquanto perambulamos nada melhor que um sorvete mesmo!


Pra uma comida rápida, depois de dias de Burek e Ćevapi, fomos ao Konyali Ahmet Usta, na Kundurd iluk bb, no final da Ferhadija, próximo ao rio Miljacka. O lugar é grande e serve kebab e outros pratos rápidos. Pedimos o alti ezmeli, por apenas 15 BAM cada. Ele vem bem completo com a carne, massinha de esfiha recheada, queijo, arroz e tomates. Para acompanhar, um tabule. Boa opção para matar a fome depois de andar bastante.




E para nosso último jantar voltamos ao Višegard, taberna de comida típica que adoramos em nossa primeira visita. Pedimos o Bosanski Lonac – ensopado bósnio com pão pita, de novo! Para acompanhar, salada com queijo. E ainda ganhamos um chazinho de cortesia! O restaurante fica na rua Halači, 14, no final da Baščaršija.






Kazandžiluk
Como estávamos no final do mochilão aproveitamos para voltar à linda e antiquíssima Kazandžiluk (a rua dos artesãos de cobre) e lá comprar umas lembrancinhas pra família. É comum as pessoas fotografarem as lojas por fora, mas por dentro, os artesãos só permitem quando os clientes compram algum item.






Trg Oslobođenja–Alija Izetbegović
Uma passadinha na praça Oslobođenja–Alija Izetbegović para ver os moradores jogando seu xadrez gigante…



Ferhadija
Quando a gente entra na rua Ferhadija, logo dá de cara com a Chama Eterna. Um memorial aos civis e soldados que morreram na Bósnia durante a Segunda Guerra Mundial. Um dos ícones da cidade.

Aí estamos de boa caminhando pela Ferhadija, revendo nossas querências na volta da pernada por Baščaršija, quando vimos uma movimentação em frente à catedral, no lado ocidental…




E demos de cara com um showzinho de uma banda (que parecia bem conhecida entre os locais) com uma cantora gostosona com um vestido mínimo, a croata Lidija Bačić Lille. Ficamos lá apreciando a música (que era meio pop-sofrência) e aplaudindo, é claro (porque é falta de respeito com os artistas não fazê-lo, e somos turistas bem educados). No final foi ficando divertido e até foto com o cantor a gente tirou!




Vijećnica
Quase todos os edifícios em Sarajevo têm mais histórias para contar do que parece à primeira vista. A Vijećnica, a prefeitura, é um dos maiores edifícios austro-húngaros da cidade. Em 1949 tornou-se a biblioteca nacional com mais de 155.000 livros e manuscritos raros. Alguns eram do século 19 sobre a história cultural da Bósnia, mas ela foi totalmente destruída pelo exército sérvio. No início os ataques pesados visavam edifícios públicos e foi num deles que a Vijećnica foi queimada e seu acervo perdido.

Após anos de restauração, o edifício reabriu como monumento nacional em 2014. Agora é usado para uma variedade de eventos e exposições.



Dia seguinte, fomos logo cedo para a lá e desta vez, com tempo, entramos para visitá-la por dentro. Há um pequeno museu que conta a história da guerra, uma réplica da sala de audiências onde os julgamentos dos acusados do genocídio foram sentenciados, além de uma galeria com quadros de artistas bósnios.







Latinska Ćuprija (Ponte Latina)
Sarajevo , 28 de junho de 1914. A Bósnia havia sido recém anexada ao império Austro-Húngaro. A insatisfação era geral. O Arquiduque Franz Ferdinand (herdeiro do trono) visita a cidade. Ao passear de carro pelo centro velho com sua esposa, Sophie (grávida de gêmeos), são vítimas de um atentado à bomba, mas não se ferem. Abrigam-se na Vijecnica, mas minutos depois resolvem seguir em carro aberto para o hospital para onde um ferido foi levado. São alvejados no caminho e morrem. Esse é o pontapé inicial para a 1a Guerra Mundial.




O prédio na esquina da rua com vista para a Ponte Latina, ao lado do qual Gavrilo Princip, um estudante de 18 anos, estava de pé quando disparou os tiros fatais, foi transformado em museu. O carro original do arqueduque está no Museu de Viena, mas uma réplica está exatamente no local do assassinato. Gavrilo Princip foi considerado um herói pelos bósnios, que inclusive deram seu nome à ponte por muitos anos. Essa história é contada no filme Sarajevo. Confira no post Bósnia no Cinema.


Do outro lado do Rio Miljacka
Nosso último dia em Sarajevo, depois do almoço atravessamos a Latinska Ćuprija e fomos dar um bordejo pelo At Mejdan, um parque de cerca de 2,5km ao longo do rio Miljacka.


Caminhamos um pouco pelo bairro e vimos a Franjevacki Samostan i Crkva sv. Ante Padovanskog, uma linda igreja católica franciscana.

Na volta, antes de cruzar para Baščaršija, passamos pela Careva Džamija (Mesquita do Imperador), a primeira mesquita construída após a conquista da Bósnia pelos otomanos, em 1457.



Amamos Sarajevo, de novo, e já queremos voltar!
Mas acabada a festa, ligamos para o Sr. Ermin para que nos levasse ao aeroporto na manhã seguinte para começamos a maratona de 32 horas de nossa volta: Sarajevo – Paris – SP – Curitiba.

A minha alma é de outro lugar, eu tenho certeza disso, e tenho a intenção de acabar lá. (Rumi)
Veja também:
Sarajevo e a Guerra Civil Iugoslava