Para conhecer um pouco mais da história da Bósnia e da guerra, antes de visitar o país, recomendamos alguns filmes.
Quo vadis, Aida? (2020)

Srebrenica, Bósnia Herzegovina, 1995. Durante o massacre da cidade de Srebrenica, Aida, uma professora e tradutora de inglês, se esforça para salvar o marido e os filhos das forças sérvias, refugiando-se num acampamento das Nações Unidas, cercado pelo exército sérvio. Baseado em histórias reais, o filme mostra o despreparo, a burocracia e a inação da OTAN, além das promessas vazias de ajuda enquanto a população é dizimada. Muito forte, muito real e muito triste. Foi Indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 2021.


Mais de 100 mil pessoas morreram na Guerra da Bósnia, cerca de 2 milhões ficaram desalojadas e 50 mil mulheres foram estupradas. Só no massacre de Srebrenica, entre 11 e 25 de julho, os sérvios, liderados pelo genocida Ratko Mladić, mataram 8.373 bósnios.
In the Land of Blood and Honey (2012)

Danijel (Goran Kostic), um militar servo-bósnio e Ajla (Zana Marjanovic), uma artista muçulmana bósnia, são namorados antes de estourar a guerra. Meses depois o conflito nos Bálcãs se acirra e Ajla é presa pelas tropas de Danijel, agora comandante sob as ordens de seu próprio pai, um general cruel e sanguinário (o veterano Rade Šerbedžija). Os horrores sofridos, principalmente pelas mulheres, são retratados de forma bastante contundente: estupros constantes, violência e escravidão. Os Campos de Concentração para onde os homens eram levados e deixados para morrer de fome e os fuzilamentos coletivos também aparecem. Lejla, irmã de Ajla junta-se aos rebeldes após perder o filho. Eles tem um plano pra derrubar as tropas que cercam Sarajevo, mas precisarão da ajuda de Ajla e ela terá que se submeter a ainda mais sofrimento para cumprir sua missão. Na Terra do Amor e Ódio, em português, foi escrito, dirigido e produzido por Angelina Jolie.


Welcome to Sarajevo (1997)

Durante a guerra um jornalista inglês arrisca a carreira e a vida para documentar o drama das crianças que perderam suas famílias. Vivenciando os horrores do cerco à Sarajevo, ele inicia uma campanha para tirá-las do país e promete a uma garotinha chamada Emira que irá salvá-la e levá-la para a Inglaterra. O filme é baseado em fatos narrados pelo correspondente de guerra da emissora britânica ITN, Michael Nicholson, em seu livro Natasha’s Story, de 1994.



Embora seja uma obra de ficção, Welcome to Sarajevo trata com fidelidade os ataques dos franco-atiradores e os bombardeios diários à cidade sob o cerco – pudemos comprovar isso visitando o Museu do Genocídio. Uma das “piadas” do filme – e que mostra o quão negligenciada pelas autoridades internacionais a Bósnia foi – é a frequente menção à declaração pública de um dos oficiais das Nações Unidas de que a crise que viviam era “apenas a 14ª no raking mundial”.

Por 4 anos Sarajevo esteve rodeada de forças sérvias que bombardearam a cidade quase sem parar. As forças das Nações Unidas registraram uma média de 330 impactos por dia. Apenas no dia 22 de julho de 1993 Sarajevo recebeu 3.777 disparos feitos a partir dos morros que cercam a cidade.
A Informante (2010)

Inspirado em fatos, o filme conta a história de Kathryn Bolkovac (Rachel Weisz), uma policial americana que aceita um convite para trabalhar com a Polícia Internacional das Nações Unidas na Bósnia pós-guerra, em uma empresa britânica de segurança terceirizada. Kathryn se torna chefe do departamento de questões de gênero e trabalha no caso de Raya, uma jovem que foi vendida pelo marido de sua tia a uma quadrilha de traficantes de mulheres. A partir do caso de Raya, Kathryn descobre uma grande quadrilha, que atua no tráfico humano e na exploração sexual, da qual vários funcionários internacionais, inclusive dos EUA, participavam. Quando Kathryn leva o escândalo à atenção da ONU, descobre que integrantes da própria organização encobriam esses crimes a fim de proteger lucrativos contratos de segurança e defesa. A empresa real, DynCorp, foi investigada pelo governo norte-americano nos anos subsequentes aos eventos (2000-2002). Vários funcionários foram demitidos mas ninguém foi processado. O filme é baseado no livro The Whistleblower: Sex Trafficking, Military Contractors And One Woman’s Fight For Justice.
Twice Born (2012)

O ano é 1984. Penélope Cruz é Gemma, uma italiana que está em Sarajevo para terminar sua tese sobre um poeta bósnio. A cidade se prepara para os jogos olímpicos de inverno e ela conhece o guia local Gojco (Adnan Haskovic), que a apresenta ao americano Diego (Emile Hirsch), um jovem fotógrafo por quem se apaixona. Juntos, vivem alguns anos na Itália e se amam, mas não conseguem ter filhos. Quando resolvem voltar à Sarajevo, em 1992, a guerra dos Balcãs estoura e seus destinos mudam para sempre.
Um Homem Comum (2018)

Belgrado, Sérvia, um ex-general, criminoso da Guerra dos Balcãs, vive escondido e bem protegido por alguns partidários fiéis. Ele é procurado internacionalmente pelo genocídio étnico e deve ser julgado no Tribunal de Haia, mas seu país finge que não sabe onde ele está, embora seu rosto seja bem conhecido e ele sempre perambule pela cidade. Para evitar essas perigosas escapadas ele é realocado para um apartamento com uma empregada, Tanja, para que ela faça as compras e ele não tenha que sair. Na medida em que a estranha relação dos dois se aprofunda vamos descobrindo mais sobre os segredos de ambos.
O papel do General, vivido por Ben Kingskey, foi baseado em Ratko Mladić, que ficou escondido durante 10 anos antes de ser capturado e sentenciado à prisão perpétua em 2017 por crimes contra a humanidade. Na Vijecnica, em Sarajevo, há uma réplica da sala de audiências em Haia onde ocorreram os julgamentos.

The Maus (2017)

Selma e Alex, um jovem casal, faz uma viagem pela Bósnia e Herzegovina. Quando seu carro estraga no meio da floresta, Selma, uma sobrevivente da guerra dos balcãs, começa a suspeitar que eles não estão sozinhos e que alguém os segue. Ela então reza usando o “hamajlija”, um amuleto muçulmano que acaba despertando uma misteriosa força. Cada personagem é o estereótipo de seu país. Selma, traumatizada, é a Bósnia arrasada, que não pode contar com ninguém para socorrê-la. Alex, alemão, tenta ser o mediador, sem entender a gravidade da situação e o iminente perigo, e Vuk e Milos são corruptos e predadores. Um suspense que foge dos clichês e explora os horrores do genocídio bósnio.
Sarajevo (2014)

Sarajevo , 28 de junho de 1914. A Bósnia havia sido recém anexada ao império Austro-Húngaro. A insatisfação era geral. O Arquiduque Franz Ferdinand (herdeiro do trono) visita a cidade. Ao passear de carro pelo centro velho com sua esposa, Sophie, são vítimas de um atentado à bomba, mas não se ferem. Abrigam-se na Prefeitura, mas minutos depois resolvem seguir em carro aberto para o hospital para onde um ferido foi levado. São alvejados no caminho, em frente à Ponte Latina, e morrem.



Esse é o pontapé inicial para a Primeira Guerra Mundial. As perguntas são: quem está por trás dos dois jovens estudantes sérvios, de apenas 19 anos, responsáveis pela execução dos atentados? Por que a rota do Arquiduque foi publicada em todos os jornais? Por que, curiosamente, os oficiais austríacos não se opõem e os deixam seguir a rota até o outro lado da cidade, protegidos por apenas 36 policiais ao longo de todo percurso? Por que, embora o dia fosse um feriado importante no país – Dia de São Vito, todos os militares permaneceram nos quartéis e os policiais locais não foram convocados para a segurança? Quem lucraria com a Guerra? O oficial Leo Pfeifer é incumbido das investigações, mas logo percebe que está sendo apenas usado como um peão em um jogo de xadrez muito bem arquitetado.


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Sarajevo – a Jerusalém da Europa