Turistando a velha Montevidéu

A Cidade Velha é um bairro de Montevidéu. É a parte mais antiga, pois sua urbanização começou em 1742.  Passeando por ela a gente conhece um pouco mais da história do lugar disputado por espanhóis e portugueses durante o período colonial por sua localização estratégica: à beira do Mar del Plata.

Puerta falsa en el tiempo, tus calles miran al pasado más leve. Claror de donde la mañana nos llega, sobre las dulces aguas turbias (…) Jorge Luis Borges

Puerta de la Ciudadela

O principal símbolo dessa fase é a Puerta de la Ciudadela, um pilar da antiga fortificação de 1741, que mantinha o povo a salvo de ataques. Da muralha só sobrou a porta em si e para que não ruísse foi construído um muro de arrimo atrás dela. À noite quem passa por ali a vê iluminada.

Plaza de la Independéncia

Atravessando a Puerta de la Ciudadela, em direção ao centro velho, fica a Plaza de la Independéncia. Muito ampla e cercada de edifícios históricos, é limpa,  segura e gostosa para passear.

Que tal morar num Palácio?

Logo em frente,  na esquina da Avenida 18 de Julio com a Plaza Independencia está o Palácio Salvo, de 1928. Projetado pelo arquiteto italiano Mario Palanti, o edifício foi inspirado na obra Divina Comédia, de Dante Alighieri e foi concebido para ser um hotel de luxo, mas nunca conseguiu hóspedes o suficiente. Com os seus 95 metros e 27 pisos, foi a torre mais alta da América do Sul por vários anos.

Hoje, abriga escritórios e apartamentos residenciais (isso mesmo, tem gente que mora lá!) e tem visitas guiadas para quem quiser saber mais sobre a construção. Durante o passeio, a guia explica que os primeiros pavimentos representam o inferno descrito pelo poeta italiano, com gárgulas e detalhes que imitam chamas. Destaque para as escadarias e os pisos – cada andar tem uma composição de cores diferente. É possível também visitar um dos pequenos apartamentos e subir até o último andar, um ponto estratégico para fotos. As visitas duram meia hora e acontecem de segunda a domingo. É bom checar os horários de acordo com o dia, pois são variáveis. A entrada custou 300 pesos por pessoa (cerca de 35 reais).

Calle Sarandí

A Sarandí é a rua mais tradicional do centro de Montevidéu. É uma rua de comércio e também tem vários restaurantes. É como a rua XV de novembro de Curitiba. Nela também estão uma antiga e linda livraria, e um museu.

Museo Torres García

Montevidéu tem vários museus e são uma boa opção quando sobra tempo e principalmente, quando já está ficando meio friozinho. No Museu Torres García, na Calle Sarandí, 683. Além de obras do artista, pode-se ver também algumas obras de Vilaró. Vale a pena conhecer para ter contato com o mais famoso artista uruguaio, caso não for visitar a Casapueblo em Punta Ballena.

Livraria Más Puro Verso

Na Calle Sarandí, 675, também fica a livraria mais bonita e tradicional do Uruguai, a Más Puro Verso. O edifício neoclássico tem lindas escadarias, piso em mosaico e um café no mezanino. Quando fomos conversamos muito com o dono que nos indicou algumas obras. Comprei uma edição em espanhol de “As veias abertas da América Latina” de Eduardo Galeano, que tinha lido há muitos anos, ainda na faculdade, e “A transparência do tempo”, do cubano Leonardo Padura. Vale a visita!

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“Yo soy libre, tu eres libre… ¡Viva la librería!”

E se você gosta de Galeano e quiser conhecer o Café Brasilero, um dos lugares preferidos dele em Montevidéu, nós o visitamos e contamos no post Comer bem em Montevidéu.

Fundación Sodre

Na esquina da Calle Sarandí com a Misiones fica o Arquivo Nacional de Imagem e Palavra, uma sala de exposições pertencente à Fundação Sodre (que também administra o Ballet Nacional e o Auditório Adela Reta. Quando fomos havia uma exposição em homenagem a José Enrique Rodó (1872-1917), jornalista, ensaísta, crítico literário e político uruguaio. Ele é considerado um dos fundadores do Modernismo latino-americano. Seus textos continham reflexões sobre a condição humana e as mudanças sociais na virada do século.

Avenida 18 de Julio

A 18 de Julio é uma das principais avenidas de Montevidéu e começa na Plaza Independência e vai até o Parque Batle. Nela você encontra bancos (é o melhor lugar para trocar dinheiro), lojas de roupas, calçados, eletrodomésticos e restaurantes. Também tem vários prédios antigos que valem uma paradinha para fotos!

Na esquina com a Calle Rio Negro fica o famoso Edifício London Paris, construído entre 1905 e 1908. Ali foi instalada a primeira loja de departamentos do Uruguai. Continua lindo! (E na parte de baixo há um MacDonalds para fazer um lanchinho antes de continuar explorando a cidade.)

Teatro Solís

Na Calle Bartolomé Mitre, fica o Teatro Solís, mais antiga casa de espetáculos do Uruguai, de 1856. O nome é uma homenagem ao navegante espanhol Juan Díaz de Solís, que foi comandante da primeira expedição europeia a entrar no Río de la Plata. Empreendimento privado, ele foi inaugurado com a representação da ópera Ernani de Verdi e era o símbolo do luxo da sociedade da época. O teatro em estilo clássico tem uma forma ligeiramente elíptica, como a do Teatro Scala, de Milão.

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Da primeira vez que fomos à Montevidéu nós não o visitamos por dentro, mas da segunda não perdemos essa chance! A visita, que normalmente é paga, acabou saindo grátis porque estavam fazendo teste de luz no palco no dia em que fomos.  Lá dentro pudemos ver, além das salas, uma exposição de máscaras do famoso mímico francês Marcel Marceau. Tivemos ainda a sorte de pegar a noite do encerramento da temporada, com tango ao vivo em frente ao Teatro. Ouvimos vários, dentre eles o lindo Los Pájaros Perdidos de Valeria Lynch. Adoramos!

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Todo fue un sueño, un sueño que perdimos, como perdimos los pájaros y el mar, un sueño breve y antiguo como el tiempo que los espejos no pueden reflejar”

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E por falar em tango, Montevidéu tem um museu dedicado a ele, dentro do Palácio Salvo, além de um bar super tradicional onde Carlos Gardel se apresentava. Fomos conferir e contamos no post Tango em Montevidéu, sim senhor!

Já em nossa terceira visita, além de ver a exposição de fotos e figurinos, ganhamos ingressos para ver uma peça por sermos os primeiros brasileiros a voltar ao Solís depois da pandemia!

Plaza Constitución e Catedral Metropolitana

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A Plaza Constitución é a mais antiga da capital e é conhecida também como Praça Matriz, pois é onde está a Catedral Metropolitana. O nome se deve ao fato de a primeira constituição do Uruguai ter sido firmada ali em 1830.  Logo em frente à ela está o antigo Cabildo (a prisão) da cidade, hoje um museu, que visitamos em nossa primeira viagem.

Plaza Zaballa

A Plaza Zabala é de 1890. Rodeada de edifícios neoclássicos, é muito tranquila e gostosa para descansar das caminhadas num de seus bancos. No centro há um monumento em homenagem ao General Bruno Mauricio de Zabala, fundador de Montevidéu. Ali também se reúnem funcionários das empresas das redondezas na hora do almoço para fumar um cigarro ou baseado (uma vez que o uso da maconha é liberado no país). Aos fundos fica o antigo edifício da companhia de águas da cidade, a Montevideo Waterworks Co., empresa inglesa que forneceu água potável à cidade de 1879 a 1950.

Museu de Artes Decorativas

O Centro Viejo é muito gostoso de percorrer a pé, tomando um sorvete e admirando os prédios antigos. Muitos deles dos séculos XIX e início do XX e bem conservados. Um deles é o Palácio Tarranco, que abriga o Museu de Artes Decorativas. É simplesmente lindo! Salões, sala de jantar, sala de música, escadaria, lareiras, esculturas, pinturas… Vale a pena conhecer, e o melhor, a entrada é gratuita! Ele fica praticamente ao lado da Plaza Zaballa, mas a entrada é pela 25 de Mayo, 376.

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“Y hoy, más que nunca, es preciso soñar. Soñar, juntos, sueños que se desensueñen y en materia mortal encarnen” (Eduardo Galeano)

Casa de Fructuoso Rivera

A casa do primeiro presidente do Uruguai, General Fructuoso Rivera, é hoje um museu gratuito que se pode visitar rapidamente. Embora não seja grande, tem um bom acervo com quadros, um lindo painel relativo à independência do país, documentos e móveis antigos.

Uma curiosidade é que lá está uma “roda dos enjeitados”, uma peça de circular de madeira com eixo, que era instalada nas paredes externas dos conventos para que os bebês indesejados fossem deixados sem que a pessoa se identificasse. O mecanismo foi inventado ainda na Idade Média. O museu fica na calle Rincón 437. Vale a visita.

Arredores do Mercado del Puerto

As ruas em volta do Mercado del Puerto são muito interessantes pois pode-se realmente sentir o que é a Ciudad Vieja. Edifícios antigos em estilo clássico que hoje abrigam comércios, embora muitos estejam fechados, dão um ar de decadência elegante aos arredores. Adoramos passear por lá, além de almoçar no Mercado, obviamente. (Falamos sobre esta experiência no post Comer bem em Montevidéu).

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Ensaios de Comparsas

Embora não tenhamos ido no Carnaval, tivemos um gostinho do festerê acompanhando o ensaio de uma Comparsa (bloco de carnaval) no Barrio Sur, na rambla República Argentina, próximo à cidade velha. Após termos almoçado, resolvemos dar uma caminhada e ouvimos música… fomos seguindo o som até encontrar a farra. Adoramos a surpresa!

Plaza de la Diversidad

 Um país em que a homosexualidade é legal desde 1934 e uma cidade que tem uma praça dedicada à memória e à luta por seus direitos. Um exemplo! A praça fica no final da passagem Policía Vieja, entre as calles Sarandí e Bartolomé Mitre. O espaço tem uma exposição permanente de fotografias com a temática LGTBQIA+. A inscrição no monolito diz “Honrar la diversidad es honrar la vida. Montevideo por el respeto a todo género de identidad y orientación sexual. Año 2005.”

El Arte Callejero

1090 (2)Outra coisa legal da Ciudad Vieja é a arte de rua, presente em vários muros e paredes. Vale a pena ficar atento durante sua caminhada, pois poderá encontrar coisa lindas como o painel La Sororidad do internacionalmente famoso Colectivo LicuadoOutro painel bonito que vimos foi o de homenagem ao centenário de Adela Reta (1921-2021), que foi Ministra da Educação. Ele fica na lateral no Auditório Nacional de mesmo nome. 

“A utopia está lá no horizonte. Me aproximo dois passos, ela se afasta dois passos. Caminho dez passos e o horizonte corre dez passos. Por mais que eu caminhe, jamais alcançarei. Para que serve a utopia? Serve para isso: para que eu não deixe de caminhar.”  (Galeano)

Fora do Centro

Já fora do Centro, não perca a chance de visitar uma típica feira, no bairro de Cordón. Fomos conferir e contamos no post Feria de Tristán Narvaja

Monumento a la Carreta

O Monumento a La Carreta é uma obra do escultor uruguaio José Belloni. A gigantesca escultura de bronze foi inaugurada em 1934 e fica na Av. Lorenzo Mérola no Parque Batlle, em frente ao Estádio Centenário. Em 1976 foi declarado Monumento Histórico da cidade. A obra é uma homenagem ao meio de transporte primitivo usado no campo, o carro de bois. Vale uma parada rápida para fotos. Como o Estádio Centenário é uma das paradas do ônibus turístico Descubrí Montevideo, foi o que fizemos.

Rosaleda

Se o tempo estiver bom, um parque muito bonito e gostoso para caminhar é a Rosaleda do Parque del Prado, (Av. Buschental esq. D. Agustini ), cuja atração principal é a Rosaleda que existe desde 1912 e tem árvores e plantas de vários lugares do mundo.  É uma espécie de Jardim Botânico dos uruguaios e foi projetado pelo paisagista francês Carlos Racine, que mandou trazer 12 mil roseiras diretamente da França para a sua inauguração.

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Fomos com nossos amigos, de carro, mas é possível também pegar um táxi a partir da Ciudad Vieja que não sai assim tão caro. É um lugar muito agradável, com fontes, arcos e roseirais e estátuas em estilo clássico. Rende lindas fotos!

Dica: Leve água mineral, pois lá não há barraquinhas (pelo menos, não que tenhamos visto).

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Outro bairro que vale a pena dar uma olhada é Punta Carretas.

Aproveitamos muito a cidade e esperamos que você também aproveite!

Veja também:

Tango em Montevidéu sim Senhor!

Comer bem em Montevidéu

Feira de Tristán Narvaja

Pestiscos, Pizzas e Lanches Uruguaios

Punta Carretas, Rambla e Farol

Colonia del Sacramento

Comer e beber em Colonia

Casapueblo e Vilaró

Punta del Este

Publicado por Adelijasluk

Adeli é formada em Letras e pós graduada em Recursos Humanos, fala quatro línguas e adora conhecer outras culturas. Curiosa e teimosa, nas horas vagas planeja itinerários próprios para as viagens anuais com o marido. Edevaldo é funcionário público e cursou geografia e informática. Paciente, nas horas vagas estuda maneiras sensatas de viabilizar os itinerários da esposa. Viajam por conta própria e juntos já conheceram 208 cidades em 33 países.

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