Ruínas de Butrint

Butrint é um dos melhores passeios a partir de Sarandë para quem, como nós, é louco por história. O local é o Patrimônio Mundial da UNESCO mais visitado em toda a Albânia, pois o sítio arqueológico é considerado um “microcosmo da história do Mediterrâneo”.

Buthrotum

Butrint (Buthrotum em latim) deriva da palavra buthrotos, que significa touro ferido. Segundo a lenda, um touro seria sacrificado na ilha de Corfu, mas escapou para o continente. Os gregos consideraram isso um sinal dos deuses e resolveram construir uma colônia no local, entre os séculos XX e XVIII antes de Cristo.

Helenus, filho de Príamo e da rainha Hécuba de Troia, é considerado o fundador de Butrint, que foi uma pólis grega de 800 a.C. até que os romanos chegaram e estabeleceram, por ordem de Júlio Cesar, a colônia de Buthrotum, por volta de 44 a.C. Além do Templo do Deus da Medicina, Esculápio, há também um Teatro, uma Ágora, Fórum, Ginásio e Banhos romanos.

Templo Grego de Esculápio

Por muito tempo Butrint funcionou como um centro religioso dedicado a Esculápio, o deus grego da cura. Os visitantes costumavam dormir no templo na esperança de que uma visão ou sonho lhes apontasse a cura para suas doenças. Sacerdotes e médicos realizavam rituais, interpretavam os sonhos e prescreviam remédios. O santuário atraía peregrinos de toda parte e muitos faziam votos e traziam oferendas.

Teatro Romano

O Teatro foi construído no séc. II sobre um antigo teatro grego do séc. IV antes de Cristo. Ele fica parcialmente encrustado na encosta da acrópolis e acomodava cerca de 2.500 pessoas. Ao dar de cara com ele nos sentimos no filme Gladiador… parece que até ouvíamos a voz da Lisa Gerrard cantando:

“Anol shalom… Anol sheh lay konnud de ne um {shaddai}… Flavum… Nom de leesh… Ham de nam um das…”

Fórum Romano

O Fórum foi construído sobre uma Ágora grega, um grande espaço aberto para reuniões cívicas e religiosas. Nele havia três capelas, uma delas dedicada à deusa Minerva. As ruínas dos pórticos de entrada e o piso de 2000 mil anos, com cerca de 20 metros, foram descobertos pelos arqueólogos somente em 2005. Grande parte ainda está enterrada a cerca de 2 metros do solo.

Banhos

No final do século I depois de Cristo a área urbana já havia crescido para além dos muros do circuito original, até as margens do canal Vivari. O centro de Buthrotum também cresceu com a construção de vários prédios públicos, alguns inclusive patrocinados pela iniciativa privada, como a Casa de Banhos. O complexo que vemos foi parcialmente escavado até agora.

Ginásio

A prosperidade de Butrint no período romano pode ser vista em sua paisagem urbana. O plano da nova cidade era muito diferente da colônia associada ao Santuário de Asclépio. Ela tinha um sistema regular de ruas que dividia a cidade em insulae (unidades de terra de tamanho igual dentro da área urbana) – similar às nossas quadras. Uma delas foi escavada e foi encontrado um conjunto de cômodos com pavimentos de mosaico separados de um pátio pavimentado de pedra por uma grande fonte. Sua função exata é desconhecida, mas pode ter sido um ginásio ou possivelmente uma casa particular. Foi modificado e reconstruído ao longo de quatro séculos e finalmente convertido em uma igreja.

Palácio Tricone

Butrint tinha muitas moradias e vilas e o Palácio Tricone era uma delas. A moradia original transformou-se num palacete por volta de 400 d.C. A primeira casa seguia o modelo de construção tradicional de vilas romanas – quartos elegantes com pisos de mosaico e paredes decoradas em torno de um pátio central com uma fonte no meio. Uma inscrição no mosaico na entrada revela que era de propriedade de algum membro do senado. A proximidade do rio e os alagamentos foram provavelmente a razão de ela ter sido abandonada pelos donos, embora tenha sido usada por pescadores até meados do século VI depois de Cristo.

Portão da Torre

No final do século III a.C., o imponente Portão da Torre foi construído e foi a entrada principal de Butrint até o século XIV d.C. Era ladeado por uma torre redonda de um lado e uma retangular do outro, ambas com fendas em formato de seta. Portões de madeira selavam cada extremidade da passagem que era larga o suficiente para uma carroça passar.

No período romano, uma ponte e um aqueduto foram construídos e cruzavam o Canal Vivari neste ponto. A água era distribuída dentro da cidade por aquedutos menores, que não são visíveis hoje. No período medieval, a ponte e o aqueduto já haviam desmoronado há muito tempo.

Fonte das Ninfas

Passando o Portão da Torre havia duas grandes fontes, mas apenas uma permanece até hoje, a chamada Fonte das Ninfas.

Grande Basílica

Após a desintegração do Império Romano, grandes potências se estabeleceram e influenciaram a cidade, como o Império Bizantino, a República de Veneza e o Império Otomano.

No século V d.C. Butrint tornou-se um centro episcopal, foi fortificada e grandes estruturas cristãs foram construídas. A principal ruína da era paleocristã é o batistério, um antigo monumento romano adaptado às necessidades culturais do cristianismo. Seu piso tem uma bela decoração em mosaico. A basílica paleocristã foi reconstruída no século IX e as ruínas estão suficientemente bem preservadas para que a gente possa entender a estrutura, que possuía três naves.

Após um período de abandono, a cidade foi reerguida sob controle bizantino no século IX. No final da Idade Média, ela já estava em declínio e ficou adormecida por séculos. Depois caiu sob o controle veneziano, permanecendo até o século XIV. As construções testemunham esses diferentes estágios da cidade, com ruínas que carregam até hoje as marcas de eras passadas.

Batistério

O Batistério é do início do período Bizantino e um dos monumentos mais significativos desse tipo no Mediterrâneo. A estrutura na verdade tinha três batistérios e ainda possui um elaborado piso de mosaico, com iconografia do início do cristianismo como o peixe, o coelho, flores e pássaros. Ele fica encoberto por motivos de preservação, uma vez que não foi removido do local.

Torre Veneziana

A partir do século XV os venezianos viviam em constante conflito com o ascendente império otomano. Butrint foi atacada várias vezes pelos otomanos que tinham Corfu como alvo final. Assim, volta e meia eles ocupavam a cidade. No final do século XV e início do XVI os venezianos refortificaram a cidade construindo um edifício maciço – a Torre Veneziana.

Fortaleza Triangular

No início do século XIX, uma nova fortaleza foi adicionada ao sistema defensivo na foz do Canal Vivari, a Fortaleza Triangular. Veneza finalmente capitulou na guerra contra Napoleão Bonaparte em 1797 e Butrint acabou nas mãos de Ali Pasha de Tepelena, um governante otomano albanês que controlou a área até seu abandono final.

Rodeada por uma bela paisagem, a cidade em ruínas torna-se ainda mais pitoresca com o lago Butrint e os pântanos que formam parte do Parque Nacional. Ele fica a apenas 3 km de Ksamil. Fomos de táxi e saiu cerca de 20 reais, mas é possível pegar o ônibus que vai de Sarandë até lá (o mesmo que se pega para ir a Ksamil).

Lembre-se, num lugar desses uma pedra jamais é somente uma pedra, por isso é importante fazer a visita com tempo. A entrada custou 1000 lek (cerca de 45 reais) por pessoa e exploramos tudo por nossa própria conta. O complexo tem uma trilha e placas explicativas em albanês e inglês na maior parte das ruínas.

Dica: leve água mineral pois o local não tem infraestrutura com lanchonetes, etc. , apesar de haver ambulantes na entrada do parque vendendo frutas produzidas na região. Compramos morangos deliciosos!

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Publicado por Adelijasluk

Adeli é formada em Letras e pós graduada em Recursos Humanos, fala quatro línguas e adora conhecer outras culturas. Curiosa e teimosa, nas horas vagas planeja itinerários próprios para as viagens com o marido. Edevaldo é funcionário público e cursou geografia e informática. Paciente, nas horas vagas estuda maneiras sensatas de viabilizar os itinerários da esposa. Viajam por conta própria e juntos já conheceram mais de 250 cidades em 36 países.

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